Silas Malafaia é destaque na Revista Piauí de setembro

A Revista Piauí de setembro traz um perfil com o pastor Silas Malafaia escrito pela jornalista Daniela Pinheiro que fez um perfil do pastor mais polêmico do país.

A Revista Piauí de setembro traz um perfil com o pastor Silas Malafaia escrito pela jornalista Daniela Pinheiro. Com o título de “Vitória em Cristo – Com uma leitura singular da Bíblia, o pastor Silas Malafaia ataca feministas, homossexuais e esquerdistas enquanto prega que é dando muito que se recebe ainda mais”, a jornalista conta o que viu durante dias analisando e entrevista os passos do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Entre os pontos destacados pela reportagem estavam os discursos sobre a arrecadação de ofertas durante um culto, a forma como ele fala de usos e costumes e, claro, os ferrenhos disparos contra o homossexualismo.

A jornalista reproduz um trecho das palavras do pastor sobre o sustento de seus ministérios. “Eu gasto milhões, milhões e milhões por mês com horário na televisão, congressos, cruzadas evangélicas, treinamento de pastores, abrindo novas igrejas. Como se paga isso? Não é um anjo do céu que desce com um cheque em branco para mim”.

A repórter traça um perfil de Malafaia dizendo que ele é “onomatopeico, careteiro e versátil no uso da voz – com a qual percorre uma escala extensa, do falsete quando imita alguém que faz uma pergunta tola, ao grave profundo que enfatiza uma frase mais solene”.

O conservadorismo dos discursos do líder da Advec também recebe destaque. Em especial para uma pregação onde ele exorta as irmãs que usam roupas decotadas e apertadas. ”Aí vem a irmã dentro da igreja com a roupa arrochada, os dois melões de fora e o cara do lado só olhando, só no somebody love. (…) Se você está indecorosa, você peca e faz outro pecar! E se você deixa sua mulher sair assim, você é um mané, um otário! Bota o silicone que você quiser, minha irmã! Mas se você quiser ser o instrumento do pecado, a glória de Deus vai embora e você vai pagar a conta com Jeová!”.

Sobre o homossexualismo a matéria comenta que a esposa de Silas, Elizete Malafaia, que também é psicóloga fala que acompanhou inúmeros casos de homossexuais que se tornaram gays depois de ser abusados. “A homossexualidade é uma desorganização emocional e espiritual. Se a pessoa não perdoou o abuso, ela canaliza aquela raiva para a vingança e, inconscientemente, se torna um abusador também”.
Já as palavras de Malafaia foram contra os projetos anti-homofobia. “Cada um faz sexo com quem quiser. O que tenho é o direito de falar que isso é pecado, que é condenado por Deus e que a Bíblia diz que é uma perversão. Agora, o que esse pessoal quer não é o direito de fazer sexo – porque isso já fazem e não vão parar de fazer. Eles querem é colocar uma mordaça na nossa boca para nos proibir de falar qualquer coisa sobre eles”.

A íntegra desse texto está na edição nº 60 que está nas bancas, na internet apenas assinantes podem acessar o conteúdo.

Fonte: Gospel Prime

O milagre de Bianca Toledo

A cantora conta sobre o agir de Deus em sua recuperação

Por: Redação Creio – Mayra Bondança

     Uma história de luta, desespero e milagres. Bianca Toledo viu a morte de perto e quase não pode conhecer seu filho, mas Deus operou uma grande obra na sua vida. O Portal Creio acompanhou o sofrimento de Bianca, que hoje conta, com exclusividade, como tudo aconteceu e como tem sido a sua recuperação. À pedido do Portal Bianca Toledo optou em escrever uma carta relato sobre todos seus momentos e a cura.

O TESTEMUNHO DE BIANCA TOLEDO:

     Eu nasci em Brasília, e desde pequena, a minha família se reunia para me ouvir cantar.

     Muito tímida, me negava a participar de apresentações públicas na escola, mas estudava piano, violão e já escrevia canções para os amigos e para Jesus, que havia conhecido na igreja católica, no movimento carismático.

     Aos 16 anos mudei-me para Araçatuba, interior de São Paulo, onde tive um encontro marcante e transformador com Deus, na comunidade evangélica e decidi dedicar minha vida totalmente a Ele. Mergulhei na Palavra de Deus e dediquei-me a busca do Espírito Santo com todas as minhas forças, pois finalmente havia encontrado meu lugar.

     Com 18 anos fui para São Paulo para estudar psicologia, mas acabei transferindo meu curso para faculdade de música já que meu ministério com louvor e adoração era cada dia mais presente. Comecei a participar de gravações e minhas canções começaram a ser gravadas. Na igreja, alem do ministério de louvor, dedicava-me à visão celular, apaixonada pela missão de ganhar vidas e formar líderes transformados pelo poder de Deus.

     Com 21 anos fui desafiada a participar do programa “Raul Gil”, descobrindo que minha missão ultrapassava as paredes da igreja e que minha música seria ouvida por todos, alcançando também o público secular. Nunca havia cantado fora da igreja, eu escolhia canções que pudesse cantar para Deus e minhas interpretações eram intensas exatamente por esse motivo. Permaneci no programa por um ano, vencendo o concurso “Usina de Talentos” e gravando um CD.

     Em 2007 participei do encerramento do programa “Criança Esperança”, na rede Globo, e no final de 2008 gravei meu primeiro álbum solo: “O Amor Prevalecerá”. O diferencial deste disco está na brasilidade do som e na maneira natural com que a poesia de minhas canções expressar minha espiritualidade, cativando e atraindo pessoas de diversas religiões, promovendo um encontro suave com Deus através de cada faixa.

Bianca Toledo em apresentação no Criança Esperança, em 2007

     Sempre tive o sonho de ser mãe, mas na adolescência descobri uma endometriose, que, na época, foi tratada, mas ainda assim me impedia de engravidar.

     No inicio de 2010, recebi essa maravilhosa surpresa, iria ser mamãe. A maior emoção de minha vida. Finalmente meu sonho havia se realizado! Logo nos primeiros meses soube que esperava um menino, e o gerava sabendo que seria um profeta para as nações. Por oito meses dediquei-me integralmente à saúde e aos preparativos para receber a minha herança. Na 36ª semana, 15 dias antes da data agendada para o parto, acordei com uma dor abdominal aguda, acreditando que chegara a hora de ter o bebê. Corremos para a maternidade, e, chegando lá, não eram sinais de parto, algo havia acontecido e ninguém sabia o que era. Fui transferida de hospital, e novamente aguardava um diagnóstico, piorando dia a dia. Toda a igreja e as redes sociais começaram a se movimentar em oração e toda a família viajou para o Rio de Janeiro, onde hoje moro, para acompanhar tudo de perto.

     Dia 11 de outubro José Vittorio nasceu, mas eu precisei ser entubada no parto e não pude conhecer meu filho. Meu organismo entrou em choque e fui submetida imediatamente a uma cirurgia que confirmou: meu intestino havia se rompido e eu tinha uma sepcemia. Todo meu organismo havia sido infectado e a minha vida ficou por um fio.

     José Vittorio foi para UTI Neonatal, e 10 dias depois para casa. Eu permaneci 52 dias em coma lutando diariamente pela vida, desenganada pelos olhos naturais, visto que já havia passado por 10 cirurgias, feito mais de 300 transfusões de sangue, tido duas paradas cardíacas – uma de mais de 8 minutos – e contraído inúmeras bactérias hospitalares, inclusive a pior delas, chamada KPC. Inúmeros antibióticos fortíssimos foram ministrados, me deixando desfigurada e com um quadro de edema generalizado.

     Os sistemas cardiovascular, respiratório e renal estavam falidos. A única esperança era um verdadeiro milagre.

     Os boletins médicos eram divulgados na internet diariamente e igrejas do Brasil todo e de fora do Brasil, se uniram em um clamor incessante pela minha vida.

Havia um relógio de oração de 24 horas preenchido por muitas pessoas que não me conheciam, mas foram levantadas a orar por mim.

     Muitos pastores e ministros de louvor me visitavam no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e ministravam minha vida,  crendo no poder da ressurreição.

Minha pastora, Fernanda Brum, levantou um clamor pela minha vida em todos os lugares por onde passava com seu ministério, Profetizando às Nações. Ela, definitivamente, não abriu mão de minha vida.

     Enquanto as pessoas oravam por mim, vidas eram transformadas e milagres aconteciam por todo o Brasil.

     No início de dezembro, sai do coma, mas minha respiração era mecânica e não havia mais movimentos em meu corpo. A luta pela vida continuava, mas agora estava consciente e, por esse motivo, a angústia de minha família era maior.

     Eu acordei e aos poucos comecei a entender o que havia acontecido. Sabia que agora estava só, meu bebê não estava mais comigo. Estava presa em um leito, sem poder falar, sem me mexer, com muitas lembranças dos dias de coma, com febres terríveis, longe de todos e com poucas horas de visita familiar por dia. Na maior parte do tempo, observando o movimento do CTI, eu tentava entender o que havia acontecido comigo, sem imaginar como um dia minha vida voltaria ao normal, já que nem respirar sozinha eu podia.

     Todos que iam me visitar se impressionavam a me ver daquela forma e muitos não continham as lágrimas.  Minha aparência e meu diagnóstico eram um desafio de fé para os mais fervorosos irmãos de oração.

     Passei o natal e o ano novo no leito, sem falar, sem me mexer, pensando que havia uma vida lá fora, meu filho estava em algum lugar e eu estava ali, a espera de um milagre. Eu pedia ao Espírito Santo que ficasse comigo, e foi Ele que me sustentou em todos os momentos, zelando cuidadosamente por mim.

     A pastora Fernanda havia deixado um MP4 que tocava louvores e ministrações da Palavra 24 horas ao dia. E eu era alimentada por isso.

Bianca após o coma

     Havia uma guerra pela minha vida, isso é um fato. Mas Deus não desistiu de mim.

     O clamor não cessava e, no fim do ano, o desejo do coração de muitos era me ver curada e de volta a vida, com a oportunidade de conhecer meu filho e poder criá-lo.

     No dia 31 de dezembro fui transferida novamente de hospital. Quando suspenderam todos os medicamentos, meu organismo surpreendentemente reagiu.

Dia a dia comecei a apresentar melhoras e ouvir os testemunhos de oração que chegavam até mim. Comecei a acompanhar o movimento pela internet, mas ainda não falava e nem tinha perspectiva de voltar a andar ou mesmo ficar em pé.

     Fazia seis horas de hemodiálise por dia. Perdi meu cabelo e começava a ficar, aos poucos, livre do respirador. Haviam grandes feridas abertas no meu abdome, sem perspectiva de fechar e todos os dias eram buscados métodos de drenagem e cicatrização. Fui para um CTI semi-intensivo e minha família pode passar mais tempo comigo, o que me ajudou muito, muito mesmo.

     Eu me comunicava através de um quadro com letras, onde apontava e formava frases, que na maioria das vezes diziam: Tenho fome, tenho sede.

     Estava há meses sem um gole de água e sonhava com o dia em que voltaria a ingerir alguma coisa. Vivemos milagres diários. Vencemos as bactérias, o respirador, e meu rim voltou a funcionar na última semana, me fazendo vencer também a hemodiálise.

    Recebi alta no dia 18 de fevereiro conseguindo ficar em pé e dando poucos passos apoiada, mas com a maior expectativa de finalmente ver meu filho, que já tinha quase cinco meses.

     Quando cheguei em casa, olhei para ele e ele sorriu pra mim. Talvez um dia eu consiga explicar o que senti naquele momento. Eu ainda não podia tocá-lo, e permaneci assim por mais 40 dias. Não podia ser tocada por ninguém, por causa da colonização das bactérias.

     Minha reabilitação foi intensa, porque ainda não caminhava e era totalmente dependente. Minha voz era muito baixa e rouca, por tantos meses sem falar.

     Tive que vencer inúmeros conflitos diários. Reaprendi a vida nos mínimos detalhes.

     A perda dos cabelos, a perda da voz, as inúmeras marcas no meu corpo, a construção do vínculo com meu filho. Teremos muitas oportunidades de falar sobre tudo isso, porque são experiências muito preciosas que tive e tenho tido com Deus. Eu vou registrar tudo isso em um livro que espero ficar pronto ainda este ano.

     Mas hoje eu posso dizer que haverá dias sem respostas, noites longas também, mas o regente de todas as coisas compõe uma nova canção no silêncio.

     Devo muito ao clamor da igreja, às campanhas de doação de sangue, à união do povo de Deus. Sou a prova viva de que Deus ouve a oração do seu povo e tem poder pra ressuscitar os mortos, Ele é poderoso para dar, tirar e voltar a dar. Ele simplesmente É.

Bianca e seu filho, José Vittorio

     Em cinco meses de reabilitação estou independente, voltando à vida normal. Que certamente nunca mais será a mesma.

     Preparando minha voz com uma fonoaudióloga e ainda seguindo com a fisioterapia.

     Existe um caminho ainda para a recuperação total, mas é um caminho glorioso e cheio de milagres. Por onde passo as pessoas são tocadas por esta historia terrivelmente transformadora.

     Preciso dizer ao mundo que Deus existe, envergonha a incredulidade, surpreende a ciência e eu sou a prova viva do Seu poder. 

Fonte: Creio

Silas Malafaia: “Ninguém nasce homossexual. É a promiscuidade do ser humano”

Em entrevista para a revista Época desta semana, o pastor Silas Malafaia falou sobre política e homossexualismo. “Hoje, sou a maior barreira que existe para aprovarem a lei que criminaliza a homofobia”, afirma.

No ano passado, quando a campanha política pela Presidência da República enveredou para uma discussão sobre fé e aborto, o pastor evangélico Silas Malafaia virou uma espécie de pivô da disputa eleitoral. Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro, Malafaia apoiou a candidatura da também evangélica Marina Silva até a véspera do primeiro turno. Quando Marina estava em seu melhor momento, Malafaia abandonou-a e passou a pedir votos para o tucano José Serra, segundo ele mais firme que Marina na oposição ao aborto. Serra perdeu a eleição, mas Malafaia não perdeu os holofotes. Poucos meses após a posse da presidente Dilma Rousseff, ele passou a liderar uma cruzada contra o projeto de lei que pretende criminalizar a homofobia. Loquaz e provocador, usa seus programas de rádio e TV para combater a proposta quase que diariamente. Nesta entrevista, ele critica a Igreja Universal, diz que os políticos não poderão mais esconder suas crenças e tenta explicar sua posição sobre a homossexualidade.

ÉPOCA – O senhor é pastor da Assembleia de Deus, mas, diferentemente de outros líderes evangélicos, é muito ouvido por fiéis de outras denominações. Qual é a diferença? 
Silas Malafaia – Estou na TV há 29 anos ininterruptos e nunca fiz programas para a Assembleia de Deus. Então, o pessoal me codifica como um pregador. Faço um programa interdenominacional. Sempre trabalhei como uma voz apologética em defesa da fé. Por causa disso, acabei conquistando espaço entre outros segmentos. Hoje, existem quatro pastores em rede nacional: Edir Macedo, da Universal, R.R. Soares, da Internacional da Graça, Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, e eu. Sou o único que sempre fiz programa para todo mundo. Não porque sou bom. É porque não tem espaço, amigo.

ÉPOCA – As igrejas evangélicas ainda têm uma imagem muito estigmatizada entre os não evangélicos. Por que, em sua opinião? 
Malafaia – Isso mudou muito, irmão. Hoje, essa história de imagem estigmatizada é cafezinho. Antigamente, nego só botava coisa ruim sobre os evangélicos na televisão, nos jornais. Era só cacete em cima de pastor. Agora tem jogador de futebol evangélico, artista…

ÉPOCA – O senhor acha que alguns líderes evangélicos ajudaram a criar essa imagem estigmatizada?
Malafaia – É aquela história de perdas e ganhos que todo segmento social sofre. Algumas atitudes fizeram a gente perder, outras fizeram ganhar. Tome o exemplo da Universal e do Edir Macedo. Ele ajudou em algumas coisas e prejudicou em outras. Ele é um cara que fez a igreja evangélica despertar para um evangelismo ousado, igreja aberta o tempo todo. Antes, as igrejas evangélicas abriam duas vezes por semana à noite. O Macedo é que arrebentou com isso, entende? O lado ruim da coisa é o sincretismo.

ÉPOCA – Qual é sua relação com o bispo Edir Macedo? 
Malafaia – A Bíblia tem um texto que diz assim: “Poderão andar dois juntos se não estiverem de acordo?”. Eu já ajudei o Macedo quando ele foi preso, mas eles são separatistas, só veem o lado deles. Então, não me presto a andar com uma pessoa que só quer andar com mão única para ela. Sou a favor de mão dupla: para lá e para cá, entende? O Macedo está isolado, todo mundo sabe. Eles só são evangélicos para os outros quando estão com dor de barriga, quando o pau está quebrando em cima deles ou então por interesse político. A comunidade evangélica está madura e não se presta mais a isso.

ÉPOCA – Nos bastidores, circulou a notícia de que o senhor estaria apoiando o PSD, o partido que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, quer construir. Procede? 
Malafaia – Amigo, não apoio partido nenhum. Apoio pessoas. Meu irmão (o deputado estadual Samuel Malafaia, do PR-RJ) está querendo ir para lá (o PSD), mas isso é problema dele.

ÉPOCA – Qual é sua opinião sobre Kassab? 
Malafaia – Nada a falar contra ele.

ÉPOCA – Mas, no passado, o senhor já se desentendeu com ele… 
Malafaia – Eu o critiquei quando ele fechou uma igreja evangélica do apóstolo Valdemiro Santiago. Ser amigo ou respeitar alguém não significa ser capacho ou concordar com tudo o que essa pessoa faça.

ÉPOCA – Na eleição presidencial do ano passado, o senhor apoiou Marina Silva no início. Ainda no primeiro turno, passou a pedir voto para o José Serra. Por que mudou de lado? 
Malafaia – Pior do que um ímpio é um cristão que dissimula. A Marina, membro da Assembleia de Deus, sabe que, como uma pessoa de fé, não pode negociar sobre questões de aborto nem de homossexualismo. Ela era contra o aborto, mas por que dizia que faria um plebiscito? Ela quis dar de bacana, jogar para a galera, e eu falei não. Qualquer um podia fazer aquilo, menos ela, por suas convicções de fé.

ÉPOCA – Por que o José Serra? 
Malafaia – Acredito que tinha de me posicionar. Naquele momento, o Serra era o mais adequado para isso. Ele mantinha uma posição firme sobre aborto, que foi o grande debate da campanha desde lá atrás. A Dilma dissimulou a história. Ela se posicionou a favor do aborto para a revista Marie Claire, depois mudou o discurso. O único que se coadunava com meus valores e crenças era o Serra.

ÉPOCA – Em sua opinião, o debate de questões religiosas deverá se repetir nas próximas disputas eleitorais? 
Malafaia – É lógico. Amigo, hoje em dia governante vai ter de dizer em que princípios acredita. Vai ter de botar a cara, porque a comunidade evangélica está bem esperta, madura. Não vai dar para ficar em cima do muro. Não queremos que nenhum político tenha a ideia de que lutamos por uma República evangélica e que, por isso, ele tem de abraçar nossos princípios e mandar todo o mundo às favas. Não estou dizendo também que o cara, para ter apoio dos evangélicos, tem de odiar os homossexuais. Não é radicalismo imbecil e idiota. Se um governante apoiar leis que privilegiam homossexuais em detrimento da sociedade, vamos cair em cima. Hoje, sou a maior barreira que existe para aprovarem a lei que criminaliza a homofobia. E, se abrir a boca para dizer que apoia o aborto, vai ficar feio também.

ÉPOCA – O que é, em sua opinião, a homossexualidade? 
Malafaia – O homossexualismo é comportamental. Uma pessoa é homem ou mulher por determinação genética, e homossexual por preferência apreendida ou imposta. É um comportamento. Ninguém nasce homossexual. Não existe ordem cromossômica homossexual, não existem genes homossexuais. O cromossomo de um homem hétero e de um homem homossexual é a mesma coisa. O resto é falácia, é blá-blá-blá. Só existe macho e fêmea, meu amigo.

ÉPOCA – Por que o comportamento homossexual se desenvolve? 
Malafaia – A Bíblia diz que, aos homens que não se importaram em ter conhecimento de Deus, Ele os entregou um sentimento perverso para fazerem coisas que não convêm. Do ponto de vista comportamental, é promiscuidade mesmo, meu amigo. O ser humano quer quebrar todos os limites. Quanto mais ele quebra limites, mais insaciável se torna. Ninguém nasce homossexual. É a promiscuidade do ser humano.

ÉPOCA – É possível alguém deixar de ser homossexual? 
Malafaia – Nossa igreja está cheia de gente que era homossexual. O cara não nasceu (homossexual). Se não nasceu, amigo… Ninguém nasce homossexual. É uma opção, por uma série de elementos: ou porque foi violentado, ou porque escolheu por modelo de imitação. O ser humano vive por modelo de imitação.

ÉPOCA – E como se dá essa reversão? 
Malafaia – Meu filho, essa reversão é o cara voltar a ser macho e a mulher voltar a ser fêmea. Dar forças para o cara vencer isso. Acredito no poder do Evangelho para transformar qualquer pessoa, inclusive homossexuais.

ÉPOCA – Qual é sua opinião sobre os casos de violência contra homossexuais? 
Malafaia – Vou te dar alguns numerozinhos para a gente poder desfazer essa conversinha fiada para boi dormir. Os números é que vão dizer: no ano passado, 50 mil pessoas foram assassinadas no Brasil, e 260 eram homossexuais. Que índice é esse para dizer que o Brasil é um país homofóbico? Outro número: mais de 300 mulheres foram assassinadas por violência doméstica em 2010, mas ninguém fala nada. Mais de 100 crianças são assassinadas ou violentamente espancadas por dia, e ninguém fala nada. Sabe por quê? É porque por trás das editorias dos jornais, da televisão existe uma bicharada desgramada que dá toda essa ênfase para eles. Não quero que ninguém morra, amigo, mas o índice (de mortes de homossexuais) é insignificante para a violência que acontece no Brasil. Então, esse é um apelo de propaganda para eles (gays) poderem ter benefícios em detrimento do conjunto da coletividade social. Essa daí é velha, e eu não sou otário. Sei pesquisar os números, e a imprensa não dá os números. Tem mais heterossexual que homossexual sendo assassinado. Você sabe o que é homofobia para os homossexuais? Olhar com cara feia para um gay é homofobia. Não concordar com a prática deles é homofobia. Uma coisa é criticar a conduta, outra é discriminar pessoas. Tudo para eles é homofobia. Essa é a malandragem deles, e eu não caio nessa.

ÉPOCA – Os ativistas homossexuais são heterofóbicos? 
Malafaia – Acho que eles são uns malandros que ganham verba dos governos federal, estadual e municipal para fazer esse papel. São uns malandros oportunistas faturando em cima da grana que as ONGs deles recebem. Essa é a verdade nua e crua. Não é pouca grana, não. E ninguém fala disso. Os ativistas homossexuais são pagos para esse serviço podre que fazem de chamar todo mundo de homofóbico.

ÉPOCA – O que fazer com o comportamento homossexual? 
Malafaia – O comportamento homossexual é um direito que a pessoa tem. O direito de ser é guardado pela Constituição, pelo livre-arbítrio. Não quero que ninguém seja eliminado. Critica-se presidente da República, critica-se pastor, padre, deputado, mas não pode criticar uma prática? Em hipótese alguma. Querer eliminar homossexual é homofobia. Não quero isso. Quero discutir com um homossexual e poder dizer que sou contra a prática dele, assim como os gays podem me dizer que são contra a prática dos evangélicos. Isso é democracia.

ÉPOCA – O que o senhor acha das críticas feitas ao deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) (político contrário às leis que criminalizam a homofobia)? 
Malafaia – Você vai ver o Jair Bolsonaro nas póximas eleições. Ele vai ter três ou quatro vezes mais votos que recebeu na eleição passada. A sociedade brasileira é conservadora, 90% da população é cristã. Desses 90%, os evangélicos e católicos praticantes são 70%. Nós somos maioria absoluta neste país, amigo. Pergunto: qual é o deputado gay que teve uma votação expressiva? Esse Jean Wyllys (deputado federal do PSOL-RJ) entrou na sobra de legenda, com 13 mil votos, pendurado num cara (o deputado Chico Alencar, do PSOL, segundo mais votado do Estado). É o mais famoso dos gays e não tem voto, não tem porcaria nenhuma.

ÉPOCA – Como o senhor reagiria se um de seus filhos ou netos dissesse que é gay? 
Malafaia – Vou melhorar tua pergunta, aprofundá-la. Se algum filho meu fosse assassino, se algum neto meu fosse traficante, se algum filho meu fosse um serial killer e tivesse esquartejado 50, continuaria o amando da mesma forma, mas reprovando sua conduta. Meu amor por uma pessoa não significa que apoio o que ela faz. Daria o Evangelho para ele, diria que Jesus transforma, que ele não nasceu assim, que é uma opção dele.

Fonte: Revista Época online

Em entrevista exclusiva, Zé Bruno fala sobre trajetória e os próximos passos da Banda Resgate

Com o passar dos anos, a música gospel vem evoluindo consideravelmente, muitos preconceitos foram quebrados com força assim que o tempo foi passando. O Brasil já viveu um tempo em que a música gospel era restrita a instrumentos de sopro, em que a bateria e a guitarra não poderiam estar sendo utilizadas nos cultos, entre muitas outras situações.

Hoje, quando se fala em música gospel, as pessoas não tem mais em mente aquele estilo monopolizado, mas sim, em uma diversidade de estilos que formam o segundo segmento mais rentável do Brasil, perdendo apenas para a música pop.

Mas para que isto pudesse acontecer, muitas pessoas tiveram que quebrar essas barreiras, mesmo sendo minoria, Zé Bruno, juntamente com a Banda Resgate, foi uma dessas pessoas que aos poucos, foram revolucionando o conceito de música cristã no país.

Confira abaixo a nossa entrevista exclusiva com Zé Bruno, um dos integrantes da Banda Resgate, uma das bandas de rock cristão mais respeitadas do país:

Gospel Prime – Como foi pra você vencer tanto preconceito no início da Banda Resgate? Foi dolorido pra vocês passar por este tipo de situação?

Zé Bruno – Na verdade vivemos dentro de um movimento crescente. Tocávamos em lugares que as pessoas queriam nos ouvir. Nunca sofremos hostilidade por parte de ninguém. Acredito que a alegria pela abertura era maior do que a resistência. Sei que houve resistência mas nunca foi direta de maneira que nos ofendesse.

GP – Nestes 22 anos de estrada, existe alguma coisa em especial que aconteceu na Banda Resgate que você queira destacar, seja algum testemunho ou algum tipo de situação?

Uma coisa que temos alegria de falar, é que ao longo destes anos sempre mantivemos a pregação do evangelho. Por onde passamos falamos  de Jesus e muitos jovens que hoje estão no ministério, com uma família estruturada e feliz, conheceram Jesus através de uma canção nossa, ou num show, ou por uma pregação de algum de nós na banda. Acho que no fim das contas é isso o que importa. Não que eu requeira alguma recompensa humana, mas se há algum galardão de Deus, isso nos alegra.

GP – Quais são os próximos passos da Banda Resgate na gravadora Sony Music?

Estamos lançando uma coletânea em comemoração aos 22 anos. O CD se chama “Pretérito Imperfeito, Mais que Perfeito”. São 19 canções antigas remasterizadas e uma faixa inédita “ Assim caminha a humanidade?”.

Temos ainda planos para um CD no próximo ano e uma gravação de um DVD.

GP – Existem artistas que com o passar dos anos não sabem se manter na mídia, porém, a Banda Resgate é uma excessão, qual é o segredo para se manter tanto tempo com um público considerável?

Não sei se somos tudo isso. Mas se for acho que a resposta é graça.

GP – Você pode nos citar algumas de suas referências, sejam elas pessoas de perto, músicos ou escritores?

Desde Vencedores por Cristo a Michael Smith. De Bill Halley ao Heavy Metal. De Gil Vicente a Jorge Luis Borges. De Pica Pau aos Simpsons. De Chaves a Matrix.

Tudo faz sentido, tudo é referência e inspiração quando a palavra de Deus está no centro de tudo.

Bate bola

Uma música: Out of Time (Blur)
Um livro: O Comércio do sagrado
Uma frase: “Diga-me o teu nome e direi como te chamas”
Um versículo: Fl 4.11
Um hobby: Jogo de Botão e autorama
Um sonho: Dormir mais pra poder sonhar
Uma realização: Não precisar de nenhuma delas pra ser feliz.

Fonte: Gospel Prime

Atriz da Globo revela: Sou virgem, evangélica e solteira

A atriz com rostinho de menina, Isabelle Drummond já soma 11 anos de carreira e trabalhos importantes no cinema, como o filme “Se Eu Fosse Você 2″. Mas foi na televisão que se tornou famosa, no papel da Emília do “Sítio do Picapau Amarelo”, na TV Globo.
No ar como a Rosa de “Cordel Encantado”, a atriz respondeu perguntas enviadas ao site de revista secular QUEM e confessou ser solteira e evangélica, além de afirmar que segue a filosofia do sexo após o casamento: “É um princípio meu”.
Confira algumas perguntas:
 
1 – Você é atriz desde os 6 anos. Acha que perdeu sua infância?
Cecília Coimbra, Campinas (SP)

Não, foi uma escolha. Gosto do que faço e sempre me diverti muito trabalhando e atuando. Claro que a gente perde uma festinha ou outra, mas eu estava fazendo o que queria. Escolhi ser atriz quando era pequena, sempre fui muito noveleira. Nessa idade, minha mãe me levou a uma agência de talentos e comecei a fazer testes. Meu primeiro trabalho foi no filme Xuxa Pop Star, em 2000.

2 – Como foi aprender o sotaque nordestino para atuar em Cordel Encantado?
Lúbia Fernandes, Rio de Janeiro (RJ)

Foi muito divertido. A produção da novela queria que cada um criasse seu próprio sotaque, para que os personagens tivessem personalidade, então, tivemos poucas aulas e exercícios com uma preparadora. Além disso, minha mãe nasceu na Paraíba e eu tenho família na capital, João Pessoa. Eles estão adorando me ver falar com o sotaque do Nordeste.

3 – Você e o ator Miguel Rômulo estão pela segunda vez fazendo par romântico. Como é sua relação com ele?
Janaína Velloso, Cuiabá (MT)

Somos muito amigos. Temos muita cumplicidade em cena, um ajuda o outro, e é gostoso trabalhar com quem a gente já conhece. O Miguel é muito engraçado e divertido. Não temos muito tempo de sair juntos por causa das gravações, mas nos falamos bastante e nossas mães são amigas.

4 – Você é muito parecida com a atriz americana Leighton Meester. Gosta da comparação?
Olímpio Bezerra, João Pessoa (PB)

Gosto. Além de ela ser linda, dizem que é ótima atriz. Não assisto ao seriado “Gossip Girl”, mas até quero ver alguns dos filmes dela. Me falam muito isso e eu até vejo uma certa semelhança.

5 – As pessoas ainda param você para falar sobre a Emília, do “Sítio do Picapau Amarelo”?
Lenilson Nóbrega, São José dos Campos (SP)
Bastante. Fui a primeira Emília criança e esse é o meu personagem mais marcante. Atualmente, o programa está sendo reprisado no canal Viva e as pessoas sempre comentam que eu cresci. Mas é normal, todo mundo cresce (risos).

6 – Acho seu cabelo muito bonito. Você tem algum cuidado especial? É vaidosa?
Simone de Moraes, Juiz de Fora (MG)

Não sou supervaidosa, de me preocupar com tudo a cada segundo. Tem dias em que gosto de ficar de moletom e não ligo. Quanto a meu cabelo, ele é do tipo normal e faço hidratação de 15 em 15 dias. Por causa da novela, não posso cortá-lo, mas pretendo fazer isso assim que acabar de gravar.

7 – Com qual ator ou atriz você sonha contracenar?
Felipe dos Reis, Santos (SP) 

Com o Johnny Depp (risos). Esse é meu sonho mesmo. Gosto de vários filmes dele, inclusive tenho muitos em casa, como todos da série Piratas do Caribe, Edward Mãos de Tesoura e Don Juan DeMarco.

8 – Você tem alguma religião?
Samuel Cireno, Brasília (DF)

Sou evangélica, mas minha religião é Deus, é Jesus. Minha mãe também é evangélica e parte da família é católica. Vou à igreja aos domingos e, quando posso, ao encontro de jovens aos sábados.

9 – Você tem namorado?
Letícia Gonçalves, Ribeirão Preto (SP)

Não, estou solteira. Nunca namorei. Eu sou muito tímida e sei que, quando for para acontecer, vai acontecer. Tenho outros focos agora, outras coisas para fazer. Estou estudando e trabalhando muito.

10 – Você já disse que só pretende fazer sexo depois do casamento. Continua com a mesma opinião?
Samanta Busato, Cotia (SP)

Sim, claro (risos). Alguns amigos e amigas minhas também pensam assim. Isso é uma coisa que eu quero. É um princípio meu, um princípio bíblico, da igreja.
Por Pollyanna Mattos
Com informações da revista QUEM

Antropóloga diz que liberdade religiosa está ameaçada no Brasil

Antropóloga Débora Diniz afirma que o Estado está sendo questionado na Justiça por tentar privilegiar o ensino católico nas escolas públicas e que livros didáticos associam os ateus aos nazistas

O trabalho da antropóloga e documentarista carioca Debora Diniz tem si­do amplamente reconhecido mundo afora. Aos 41 anos, ela já recebeu 78 prêmios por sua atua­ção como pesquisadora e cineasta. Professora da Universidade de Brasília, Debora é autora de oito livros. O último deles – “Laicidade e En­sino Religioso no Brasil” – trata de uma discussão que está emergindo no País e deverá ser motivo de debates acalorados no Supremo Tribunal Federal. “Além de a lei do Rio de Janeiro sobre o ensino religioso nas escolas públicas estar sendo contestada no Supremo, há uma ação da Procuradoria-Geral da República contra a concordata Brasil-Vaticano, assinada pelo presidente Lula em 2008”, lembra Debora. “Um artigo da concordata prevê que o ensino religioso no País seja, necessariamente, católico e confessional. Isso é inconstitucional.”

ISTOÉ -
O ensino religioso nas escolas públicas, num Estado laico como o Brasil, é legítimo?

DEBORA DINIZ -
Sim e não. Sim porque está previsto pela Constituição. E não quando se trata da coerência com o pacto político. Chamo de coerência a harmonia com os outros princípios constitucionais: da liberdade e do pluralismo religiosos e da separação entre o Estado e as igrejas. Falsamente, se pressupõe que religião seria um conteúdo necessário para a formação da cidadania.

ISTOÉ -
O pluralismo religioso é respeitado nas escolas públicas?

DEBORA DINIZ -
Não. A Lei de Diretrizes e Bases delega aos Estados o poder sobre a definição dos conteúdos e quem são os professores habilitados. Isso não acontece com nenhuma outra matriz disciplinar no País. A LDB diz que o ensino religioso não pode ser proselitista. Apesar disso, legislações de vários Estados – como a do Rio de Janeiro – afirmam que tem de ser confessional. Determinam que seja católico, evangélico.

ISTOÉ -
As escolas viraram igrejas?

DEBORA DINIZ -
As aulas de ensino religioso, obrigatórias nas escolas públicas, se transformaram num espaço permeável ao proselitismo. Não é possível a oferta do ensino religioso confessional sem ser proselitista. Se formos para o sentido dicionarizado da palavra proselitismo, é professar um ato de fé. É a catequização. O proselitismo é um direito das reli­giões. Mas isso pode ocorrer na escola pública? A LDB diz que não.

ISTOÉ -
É possível haver ensino religioso sem ser proselitista?

DEBORA DINIZ -
É. A resposta de São Paulo foi defini-lo como a história, a filosofia e a sociologia das religiões.

ISTOÉ -
São Paulo seria o melhor exemplo de ensino religioso no País?

DEBORA DINIZ -
No que diz respeito ao decreto estadual, segundo o qual o ensino não deve ser confessional, sim. Mas se é o melhor exemplo na sala de aula, não temos pesquisas no Brasil para afirmar isso. A LDB diz que a matrícula é facultativa. Então, também devemos perguntar: o que a criança faz quando não está na aula de religião?

ISTOÉ -
O ensino religioso, da forma como está configurado, é uma ameaça à liberdade religiosa?

DEBORA DINIZ -
É. Quanto mais confessional for a regulamentação dos Estados, quanto mais os concursos públicos forem como o do Rio – em que o indivíduo tem de apresentar um atestado da comunidade religiosa a que pertence e, caso mude de religião, perde o concurso –, maior é a ameaça. A liberdade religiosa está ameaçada no País e a justiça religiosa também.

ISTOÉ -
Há uma tentativa de privilegiar uma ou outra religião?

DEBORA DINIZ -
Quase todos os Estados se apropriam do que aconteceu no Rio, nominando as religiões dos professores. No Ceará, por exemplo, o professor tem de ter formação em escolas teológicas. Mas religiões afro-brasileiras não têm a composição de uma teologia formal. Essa exigência privilegia os católicos e os protestantes.

ISTOÉ -
Por que o MEC não define o conteúdo do ensino religioso?

DEBORA DINIZ -
Há uma falsa compreensão de que o fenômeno religioso é um saber para iniciados, e não para especialistas laicos. Também há um equívoco sobre o que define o pacto político num Estado laico. O fenômeno religioso não é anterior ao fato político. Religião não pode ter um status que não se subordine ao acordo constitucional e legislativo. Isso é verdade em algumas coisas, tanto que o discurso do ódio não é autorizado. O debate sobre a criminalização da homofobia causa tanto incômodo às comunidades religiosas porque resultará em restrição de liberdade de expressão. Não se poderá dizer que ser gay é grave perversão, como algumas fazem atualmente.

ISTOÉ -
Os livros didáticos dizem…

DEBORA DINIZ -
Dizem porque há essa lacuna de regulação e de fiscalização. Há uma subordinação do nosso pacto político ao fato religioso. O que é um equívoco. Também há uma falsa presunção de que o saber religioso não possa ser revisado. O MEC tem um painel em que todas as controvérsias científicas são avaliadas por uma equipe que diz o que pode e o que não pode entrar nos livros didáticos. A despeito de pequenas comunidades no campo da biologia dizerem que criacionismo é uma teoria legítima sobre a origem do mundo, o filtro do MEC diz que criacionismo não é ciência. Por que, então, o MEC não define o que pode entrar nos livros de ensino religioso e os parâmetros curriculares?

ISTOÉ -
O que os livros didáticos de religião pregam?

DEBORA DINIZ -
Avaliamos 25 livros didáticos de editoras religiosas e das que têm os maiores números de obras aprovadas pelo MEC para outras disciplinas. Expressões e valores cristãos estão presentes em 65% deles. Expressões da diversidade cultural e religiosa brasileira, como religiões indígenas ou afro-brasileiras, não alcançam 5%. Muitas tratam questões como a homofobia e a discriminação contra crianças deficientes de uma maneira que, se fossem submetidas ao crivo do MEC, seriam reprovadas. A retórica sobre os deficientes é a pior possível. A representação simbólica é de quem é curado, alguém que é objeto da piedade, que deixa de ser leproso e de ser cego. É a do cadeirante dizendo obrigado, num lugar de subalternidade.

ISTOÉ -
A submissão ao sagrado é estimulada?

DEBORA DINIZ -
É uma submissão ao sagrado, à confessionalidade. Mas a confessionalidade não se confunde com o sagrado. O sentido do sagrado pode ser explicado. No caso do “Alcorão”, é possível explicar que a escrita tem relação com a história do islamismo. Não precisamos de livros que violem o sagrado, que digam que Maria não era virgem. Mas eles não precisam se submeter à confessionalidade, dizer que há só uma verdade.

ISTOÉ -
Há um estímulo ao preconceito e à intolerância nos livros?

DEBORA DINIZ -
Sem dúvida. Há a expressão da intolerância à diversidade – das pessoas com deficiência, da diversidade sexual e religiosa, das minorias étnicas. Há, também, uma certa ironia com as religiões neopentecostais.

ISTOÉ -
A ideia da supremacia moral dos que têm religião é defendida?

DEBORA DINIZ -
É. Há equívocos históricos e filosóficos, como a associação de ­Nie­tz­s­che ao nazismo. As pessoas sem Deus são representadas como uma ameaça à própria ideia do humanismo. É muito grave a representação dos ateus. Isso pode gerar desconforto entre as crianças cujas famílias não professem nenhuma religião. Já que, nos livros, elas estão representadas como aquelas que mataram Deus e associadas simbolicamente a coisas terríveis, como o nazismo.

ISTOÉ -
As aulas facultativas podem se tornar uma armadilha?

DEBORA DINIZ -
Sem dúvida. A criança terá de explicar suas crenças, o que deveria ser matéria de ética privada. Pior: ao sair da aula com um livro como esse, as crianças talvez tenham de explicar por que não têm Deus.

ISTOÉ -
Não há reflexões históricas sobre o significado das religiões?

DEBORA DINIZ -
Nenhuma. Há uma enorme dificuldade de nominar as comunidades indígenas como possível religião. Elas possuem tradições e práticas religiosas ou magia. No caso das afro-brasileiras, também se fala em tradição.

ISTOÉ -
O que levou o Estado a proteger o ensino religioso na Constituição?

DEBORA DINIZ -
Foi uma concessão a comunidades religiosas numa disputa sobre o lugar de Deus e da religiosidade na Constituição. A religião foi mantida no que caracterizaria a vida boa e a formação da cidadania. Isso é um equívoco. A religião pode ser protegida pelo Estado, mas não no espaço de promoção da cidadania que é a escola.

ISTOÉ -
O ensino religioso está ganhando ou perdendo espaço no mundo?

DEBORA DINIZ -
Essa é uma controvérsia permanente. Nos Estados Unidos, um país bastante religioso, não está na escola pública. Na França, o país mais laico do mundo, também não. Exceto na região da Alsácia-Mosele. Na Bélgica e no Reino Unido está. Esses países hoje enfrentam com muita delicadeza a islamização de suas sociedades. Na Alemanha, grupos islâmicos já começaram a exigir o ensino de sua religião nas escolas públicas.

ISTOÉ -
Mas na França também há o outro lado, de proibirem vestimentas…

DEBORA DINIZ -
Esse é o paradoxo que a França enfrenta neste momento, sobre como respeitar o modelo da neutralidade. A lei do país proíbe símbolos religiosos ostensivos nas escolas públicas – cruz grande, solidéu, véu. O que o outro lado vai dizer? Que isso viola um princípio fundamental, que é a expressão das crenças individuais estar no próprio corpo.

ISTOÉ -
Quais são os desafios do ensino religioso no Brasil?

DEBORA DINIZ -
São gigantescos e podem ser divididos em três esferas. Uma é a esfera legal. O ensino religioso está sob contestação nos foros formais do Estado: no Supremo, no MEC e no Ministério Público Federal. Além de a lei do Rio de Janeiro estar sendo contestada no Supremo, há uma ação da Procuradoria-Geral da República contra a concordata Brasil-Vaticano, assinada pelo presidente Lula em 2008.

ISTOÉ -
E do que trata esta ação?

DEBORA DINIZ -
Um artigo da concordata prevê que o ensino religioso na escola pública seja, necessariamente, católico e confessional. Isso é inconstitucional. Estamos falando da estrutura da democracia. Segundo o ministro Celso de Mello, em toda a história do Supremo, só tínhamos tido uma ação que tocava na questão da laicidade do Estado. Isso foi nos anos 40. Agora, temos pelo menos duas. A segunda esfera é como o ensino religioso pode ou não pode ser implementado. O MEC precisa definir quem serão os professores, como serão habilitados e quais conteúdos serão ensinados. A terceira esfera é a sala de aula, a garantia de que vai ser um ensino facultativo e de que o proselitismo religioso será proibido.

Fonte: Revista Isto É – Edição: 2164

Entrevista: Carlos Alfredo, diretor da missão Portas Abertas

Segundo o diretor da missão Portas Abertas, Carlos Alfredo, em entrevista para a revista Cristianismo Hoje, os crentes livres precisam despertar para o drama da perseguição religiosa.

O tempo da tenebrosa Cortina de Ferro, conjunto de nações comunistas, vassalas da extinta União Soviética na opressão aos crentes em Jesus, já é passado. Contudo, novos “golias” se levantam em pleno século 21 contra a ação da Igreja. Um dos principais é o islamismo, crença que avança em todo o mundo, inclusive no Ocidente. A militância muçulmana, baseada em políticas de Estado no mundo árabe, representa a maior ameaça do momento ao Evangelho. Em países como Arábia Saudita, Iêmen e Irã, para citar apenas alguns, professar o cristianismo pode levar à morte. Mas a missão Portas Abertas tem feito tudo para não só encorajar e ajudar os cristãos que sofrem por sua fé, como também estimular os crentes que vivem no mundo livre a adotar essa causa como sua. A entidade internacional, fundada em 1955 pelo missionário holandês Anne van der Bijl – ou Irmão André, codinome adotado para mantê-lo no anonimato na época em que contrabandeava bíblias para o Leste Europeu –, é hoje o maior braço de apoio à Igreja Perseguida.

Há 13 anos na missão e um no cargo de secretário-geral, o pastor Carlos Alfredo de Sousa comanda o escritório brasileiro de Portas Abertas, em São Paulo. É uma equipe enxuta, bem de acordo com a filosofia da missão: empregar o máximo de recursos na atividade-fim e manter a transparência financeira e administrativa. “Temos mais de 5 mil projetos em andamento no mundo”, diz Alfredo. Membro da Igreja Aliança Cristã e Missionária do Aeroporto, casado, dois filhos, ele encontrou na missão uma maneira de atender ao chamado. “A Igreja brasileira é uma das mais dinâmicas no mundo e queremos que ela se envolva com o drama dos cristãos perseguidos. Esse é um privilégio e também um desafio que Deus nos entregou”, acredita. Carlos Alfredo recebeu CRISTIANISMO HOJE para esta entrevista:

CRISTIANISMO HOJE – Com o fim do comunismo, antigo fantasma da Igreja, qual é a grande ameaça à fé, hoje?

CARLOS ALFREDO – O Muro de Berlim caiu e o comunismo entrou em decadência. Mas, entre céticos e fanáticos religiosos, a perseguição tem crescido de forma alarmante em todo o mundo. O Instituto Pew Fórum publicou uma pesquisa que mostra que 70% da população mundial vive em locais onde existe algum tipo de limitação à liberdade religiosa. Países como o Brasil são uma minoria. E a tendência é que as restrições religiosas se tornem cada vez mais severas, mesmo que supostamente visem a defender a liberdade. Caso exemplar é o da França, que aprovou uma lei pela qual, em lugares públicos, não se pode ostentar símbolos religiosos, sejam eles quipás de judeus, véus de muçulmanos ou cruzes de cristãos. E isso está acontecendo em países onde, teoricamente, há toda a liberdade.

Portas Abertas não é uma missão convencional, que treina e envia obreiros para o campo. Como é o trabalho da organização?

Atuamos nos países e regiões onde existe perseguição, independentemente de qual seja seu motivo. Nosso trabalho é identificar os crentes locais, estabelecer formas de contato com eles, aferir suas necessidades e atendê-los com um objetivo: fortalecê-los em sua fé. Temos hoje cerca de 5 mil projetos em andamento, como distribuição de bíblias, treinamento de obreiros, fornecimento de microcrédito e iniciativas para geração de renda – já que, em muitos lugares, os cristãos são impedidos até de trabalhar –, entre outros. Procuramos também dar visibilidade internacional a casos de prisão e abusos contra cristãos em todo o mundo. Quando damos visibilidade a transgressões aos direitos humanos, a tendência é que a pressão, principalmente quando vem de governos, diminua. Nenhum governo quer ter problemas internacionais. Em dezembro, entregamos à ONU um manifesto intitulado Free to believe [“Liberdade para crer”], com mais de 500 mil assinaturas contra a Resolução da Difamação Religiosa.

Que resolução é essa?

A Organização da Conferência Islâmica, que congrega 57 países, tem apresentado sistematicamente na ONU um projeto que dá aos governos envolvidos o direito de dizer quais visões religiosas podem e quais não podem se expressar em seus países, bem como autoridade para o Estado punir aqueles que professem confissões “inaceitáveis”, de acordo com o que acreditam. Isso equivale a tornar a perseguição legal, criminalizando palavras e ações contrárias ou diferentes de uma opção religiosa particular – no caso, o islamismo. Se aprovado, esse instrumento também dará legitimidade internacional a leis nacionais que punem, por exemplo, a blasfêmia contra o Islã ou que proíbam críticas à religião majoritária. Com isso, minorias religiosas, não somente cristãs, passarão a sofrer muito mais pressão, especialmente, em países islâmicos.

Especialistas em ciências da religião preveem que, em menos de três décadas, a Europa se tornará majoritariamente muçulmana. A liberdade religiosa no Ocidente corre risco?

Basta andar por qualquer país europeu para se ver grandes grupos islâmicos, bairros inteiros. Isso ainda não é um dos maiores motivos de preocupação, pois a Igreja lá, apesar de decadente, ainda é livre. A diferença entre a Igreja perseguida e a Igreja da Europa é que aquela é muito mais ativa e está, inclusive, disposta a pagar o preço para ver seus conterrâneos convertidos a Cristo. As agências missionárias tradicionais devem atentar com mais carinho e cuidado para a Europa, que entregou-se ao secularismo. O que está acontecendo na Europa é um processo irreversível – o continente deixou de ser celeiro de missões para se tornar um campo missionário.

E no Brasil, o senhor enxerga algum movimento que possa contrapor-se à livre expressão de crença?

A curto e médio prazos, não vejo nenhuma ameaça à liberdade religiosa no Brasil, mesmo com a eventual aprovação do Projeto de Lei 122/06 [N.da Redação: a proposta institui, entre outras medidas, a condenação legal à chamada homofobia]. Mesmo que ele seja aprovado, a probabilidade de ser derrubado no Supremo Tribunal Federal é grande, pois é inconstitucional. Nosso país ainda é cristão – veja como as discussões sobre a legalização do aborto, que conta com a oposição ferrenha da maioria dos católicos e evangélicos, influenciaram tanto as últimas eleições.

Mas a restrição ao discurso evangélico contra a homossexualidade não representa uma ameaça ao trabalho dos pastores e das igrejas?

A questão mais grave não é essa. Independentemente da aprovação ou não, o problema é que a sociedade brasileira já está se posicionando na defesa e na simpatia ao homossexualismo. Na mídia, você já percebe a valorização do comportamento homossexual. De agora em diante, mesmo que não leve a uma prisão ou ao fechamento de uma igreja, qualquer posição contrária ao homossexualismo já será duramente questionada. A Igreja deve se posicionar contra todo pecado, independentemente de qual seja, se homossexualismo ou corrupção – e não, classificá-lo. A Igreja perseguida nos dá um bom exemplo dessa estratégia. Num país onde existe perseguição, é necessário se posicionar como cristão. Não há meio termo.

Processos de revolução social e econômica geralmente antecedem momentos de grande mudança espiritual, como aconteceu no Reino Unido no século 18 e, mais recentemente, no Leste Europeu. Na sua opinião, a China passa por situação semelhante hoje?

Nesses próximos anos, se houver algum movimento social que possa trazer uma mudança para a Igreja, um avivamento, acredito que acontecerá na China. Aquele país vive um período de transformações, com a abertura econômica, mas ainda mantendo um forte controle político e social pelo Estado. As igrejas de lá ainda sofrem muito, mas o processo já tem trazido alívio a muitas delas, principalmente nas grandes cidades. Por outro lado, também temo, pois a Igreja, quando consegue a liberdade, tende a ser mais acomodada. Na China mesmo, muitos jovens cristãos estão deixando o interior para ir ganhar dinheiro nas metrópoles. Esse novo estilo de vida atrai a juventude, e a tendência é de os valores cristãos ficarem em segundo plano. Parece contraditório, mas a liberdade muitas vezes mais prejudica a Igreja do que a ajuda.

O governo brasileiro acaba de reconhecer a legitimidade de um futuro Estado palestino. Se essa nação de fato for implantada, o que mudaria em relação ao cristianismo na região?

A decisão representa um apoio importante para uma população necessitada, e para se reparar uma injustiça histórica. Mas, na prática, não muda muita coisa, por causa do peso do Brasil. Se fossem os Estados Unidos, seria outra dimensão. A situação na região é complicada e isso, por si só, dificulta muito o trabalho missionário. Quando estive por lá, conversei com cristãos palestinos e judeus messiânicos, ou seja, crentes em Jesus dos dois lados do conflito. Há uma enorme dificuldade em trabalhar a reconciliação entre esses dois grupos. O judeu messiânico resiste a se relacionar com o cristão palestino. Ambos os lados têm suas posições em relação à terra e seus sentimentos de dor; acompanharam de perto os acordos e resoluções nos últimos anos, mas sabem que apenas Cristo pode trazer a paz definitiva àquela região. A Igreja brasileira tende a ser mais sionista, apoiando Israel, mas sem conhecer o contexto. O Israel de hoje é secularizado, não sabe quem é Deus e não o busca. Apenas uma minoria é religiosa. Em relação à presença missionária brasileira, no lado palestino, somos muito bem recebidos. Eles nos amam. Seria muito bom que os grupos de cristãos brasileiros que visitam Israel tirassem um tempo para estar entre seus irmãos palestinos. No Brasil, temos um potencial enorme e estamos nos estruturando para aproveitá-lo. Nos próximos 15 anos, queremos ter 1 milhão de brasileiros engajados na causa da Igreja perseguida – não apenas contribuindo, mas orando, escrevendo cartas, visitando, enfim, agindo de alguma forma em favor dos seus irmãos que têm os mais básicos direitos negados devido à fé que professam.

O senhor acredita que é possível despertar a Igreja do mundo livre para as necessidades dos crentes que sofrem perseguição?

Costumo dizer que, quando a Igreja preocupa-se com missões, geralmente se lembra de dois personagens: o missionário ou o perdido. Mas, nessa temática, não se fala sobre o que acontece quando esse perdido se converte. Uma coisa é se converter no Brasil; outra, é aceitar o Evangelho no Oriente Médio, no norte da África ou no sul da Ásia. A Igreja Perseguida precisa ser incluída, urgentemente, na pauta missionária. Não se pode olhar para as nações unicamente como povos não alcançados. Tudo bem que há muitos lugares para os quais precisamos enviar missionários; mas também há países e regiões em que isso é impossível. Lá, existem igrejas locais que precisam ser fortalecidas.

Missões de origem internacional estão enfrentando dificuldade para captar recursos e manter suas atividades no Brasil. Como Portas Abertas tem enfrentado essa crise?

Acho que o grande problema das outras missões é que ficaram por demais dependentes, esperando recursos de fora. Desde o começo, Portas Abertas Brasil nunca dependeu de recursos externos. Fomos aprimorando nossa forma de trabalho no Brasil, e isso deu confiabilidade à organização. Temos auditorias interna e externa, há prestação de contas. Mesmo com sua origem estrangeira, a missão tornou-se uma parceira brasileira, por respeitar e trabalhar com a Igreja nacional. A contribuição financeira do Brasil no orçamento mundial de Portas Abertas tem aumentado gradativamente. Em 2011, devemos ficar entre as seis bases que mais contribuem para os projetos de campo, ficando atrás de países ricos como Holanda, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, e em patamar semelhante ao da França.

O governo brasileiro já sinalizou que pretende exercer maior controle sobre as instituições do Terceiro Setor. Isso pode prejudicar as missões evangélicas?

Qualquer organização do Terceiro Setor deve ser muito transparente. Isso é um princípio básico, que, se não for respeitado, fará com que as fontes de financiamento se fechem. As modernas fundações, por lei, já são preparadas para auditar quanto entra e o que é feito de seus recursos. Uma minoria de igrejas e entidades evangélicas presta contas, divulga quanto arrecadou e em que gastou para os fiéis. Isso é um processo de aprendizado. Mas, quem não deve, não teme. Nossa única preocupação é continuar mandando recursos com isenção do Imposto de Renda. Se o governo quiser tributar 15% da arrecadação das entidades, será um valor elevado.

Hoje, com as modernas tecnologias de informação e transmissão de dados, o contrabando de Bíblias em papel, que deu origem à missão, ainda é vantajoso?

Desde a época do cassete, como muita gente nas regiões que atendemos não sabe ler, já gravávamos e distribuíamos textos sagrados em fitas para gravador. Hoje, muitas pessoas em países fechados já leem as Escrituras através de microchips. Portas Abertas está atenta às novas mídias, usando-as principalmente em favor do público mais jovem. Mas, não tem jeito – em muitos lugares, o papel ainda é a única mídia disponível. E continuaremos, durante anos, contrabandeando o bom e velho livro de capa preta.

Fonte: Cristianismo Hoje

“Deus é quem nos sustenta” diz Marina Silva

 

Em uma entrevista para a Revista Comunhão, Marina Silva fala, entre outras coisas, sobre seu ministério e seus sonhos para o país.

Maria Osmarina Silva de Lima, a missionária e ambientalista Marina Silva, despede-se do Senado após 16 anos defendendo a causa ambiental no Governo, tanto como senadora, quanto como ministra do Meio Ambiente. A ex-candidata à presidência da República pelo Partido Verde (PV) fala à Comunhão sobre seu ministério, o movimento pró-Marina Silva, as barreiras e conquistas em seu ativismo ambiental, o papel da igreja na obra restauradora de Deus na Terra e seus sonhos para o País

A infância difícil no Acre, de muitas privações, ajudou a levá-la ao encontro com Deus?

Foi uma infância bem paradoxal, porque tinha a abundância dos recursos da Floresta Amazônica, apesar de algumas faltas em outras áreas. Eu era uma criança que ficava contemplando as estrelas, o sol, a lua, o céu, as coisas da natureza e identificando em tudo isso a presença de Deus. E na escassez d de alimento e nas dificuldades de doenças – porque não havia médico -,poder contar com o sobrenatural era a única esperança que tínhamos. Então, Deus sempre ocupou um lugar muito forte na minha vida. Tirávamos da floresta o nosso suprimento: látex, óleo. A floresta era, enfim, nosso grande celeiro. Tínhamos, ao mesmo tempo, uma floresta bonita exuberante e a escassez. Aquilo que não produzíamos comprávamos dos patrões, e o preço das mercadorias era sempre muito alto, ao contrário do preço da borracha que fabricávamos. Éramos submetidos a um regime quase que de escravidão.

O versículo “Quando sou fraco é que sou forte” (2 Coríntios 12:10) abre a sua biografia. Como, ao longo dos anos, a fé ajudou na superação da fragilidade na saúde?

Quando a gente se depara com uma falta em nós mesmos, com nossa insuficiência para uma série de coisas, não somos capazes de nos sentirmos amados e de termos o amor do outro, nem de nos sentirmos saudáveis, se a saúde não está em nós. Mas quando nos deparamos com essa fragilidade, podemos dar espaço para que Deus possa preencher essa falta. Então, ao me identificar faltosa em mim mesma, eu crio um espaço para que Deus possa preencher esse vazio, e aí eu sou uma pessoa forte. Toda vez que eu me encho de mim mesma, sinto-me autossuficiente em tudo e eu diminuo o espaço da presença de Deus em minha vida. E aí, contraditoriamente, ficamos fracos, porque Deus é quem nos sustenta.

Como concilia o ministério na igreja com o ativismo político?

Em 2004, eu fui consagrada à missionária da Assembléia de Deus de Brasília, que é a igreja onde congrego, cujo presidente é o pastor Sóstenes Apolo. Considero meu ministério itinerante para falar sobre essa esperança restauradora que é Jesus. Ao mesmo tempo, acredito que o trabalho que exerço na defesa do meio ambiente é um ministério, porque na Carta de Paulo aos Romanos diz que toda a criação geme com dores de parto. E ela geme esperando ser restaurada. Então, quando nossos primeiros pais caíram no Éden, tudo caiu com eles. A restauração de Deus é integral, é para tudo que Ele criou, inclusive a natureza. Por isso, sinto-me parte de um trabalho que tem a ver com esse processo de restauração da obra de Deus. E dá para conciliar porque não são incompatíveis. Quando temos uma função pública, atuamos para todos que creem. Quando temos a clareza da fé, você sabe que, se é abençoado, é também abençoador. E a bênção de Deus é para impactar onde a gente estiver, sem impor nossas verdades e valores.

Sofre preconceitos por ser cristã e estar alinhada com o pensamento científico?

Eu diria que na campanha eu sofri alguns preconceitos por ser evangélica. Quem acompanhou os movimentos na Internet sabe que eram feitas acusações e rotulações que não têm nada a ver com o meu testemunho de vida, e as pessoas que me conhecem e acompanham a minha vida sabem disso. Mas quando as pessoas têm a oportunidade de conhecerem e serem conhecidas, na maioria das vezes, o preconceito acaba.

Mesmo não ganhando nas urnas, a senhora foi considerada uma verdadeira vencedora no último pleito. Ser presidente do Brasil é um sonho?

Servir ao Brasil é uma aspiração, graças a Deus. Para mim, pode ser sendo uma boa professora ou uma senadora comprometida com a defesa da educação, da saúde, do meio ambiente, dos direitos humanos, da justiça e da ética na política. Isso é servir ao Brasil. Assim como sendo candidata à presidência da República, discutindo as questões com profundidade, evitando o embate, procurando fazer o verdadeiro debate, não transformando a fé numa arma política nem os púlpitos em palanque. O que está dentro de mil é o desejo de servir onde quer que eu esteja, porque não devemos escolher a bênção de Deus, e sim o Deus da bênção. E quando escolhemos o Deus da bênção, onde colocarmos a planta dos nossos pés é ali que a devemos fazer a diferença. Pode ser na comunidade, dentro da nossa casa ou no local de trabalho.
Eleita para dois mandatos consecutivos, a senhora está se despedindo do Senado. Fale das principais dificuldades enfrentadas para a aprovação de seus projetos no Senado.
Foi uma série de dificuldades, já que trabalho com temas novos. Um dos projetos mais importantes da minha trajetória legislativa no Senado foi a Lei de Acesso aos Recursos da Biodiversidade, e estou saindo, depois de 16 anos, sem ver esse projeto ser aprovado. Apresentei 72 projetos ao longo desses anos. Alguns foram votados e transformados em lei, mas os que são mais estruturantes, na perspectiva do desenvolvimento sustentável, da economia e da ecologia, não foram aprovados. Há uma dificuldade porque muita gente ainda coloca economia em oposição à ecologia e vê na proteção do meio ambiente uma barreira para o desenvolvimento, quando, na verdade, a grande barreira está na destruição das bases naturais que o promove.

Na vida política e partidária, a senhora já se viu, em algum momento, obrigada a tomar alguma decisão conflitante com a Palavra de Deus?

Graças a Deus, durante esses anos todos, eu sempre tive uma atitude de não abrir mão dos meus princípios em função de determinadas circunstância. Sempre necessário, eu alegava objeção de consciência para não ter que votar em propostas contrárias ao que penso. É claro que são situações pelas quais você vai ter que pagar um preço de acordo com sua decisão. Uma parte das pessoas compreende e outras vão criticar. Mas é assim na vida, e democracia é isso. É preciso acabar com essa história de rotular as pessoas e passar a discutir, com profundidade, o mérito do que ela está dizendo e pensando.

Em seu pronunciamento de despedida do Senado, a senhora disse que “fiz o bom combate e guardei a fé” e que quer estar na ativa como mantenedora de utopias. Quais são as suas utopias?

Eu tenho o sonho de continuar sonhando pelo resto da minha vida. Tudo aconteceu na história da humanidade porque alguém foi capaz de sonhar, de se projetar para além de si mesmo e do seu tempo e fazer com que aquilo que ele faz tenha um forte vínculo com aqueles que virão. Quero continuar aliançada com aqueles que ainda não nasceram, para que possam ter condições iguais ou melhores das que temos hoje. Abraão deu um bom exemplo em relação a isso quando, aos 100 anos, plantou um bosque em Berseba sabendo que não ia comer dos frutos daquelas árvores nem ia usar aquela madeira, deixando tudo para a geração seguinte. Eu tenho o sonho de que o Brasil seja um país socialmente justo, ambientalmente sustentável, economicamente próspero, culturalmente diverso; que continue com a bênção de ter um Estado laico para assegurar os direitos dos que creem e dos que não creem e que possa garantir àqueles que não receberam esse toque do Espírito o convencimento desses princípios e dessa forma de viver.

Fale sobre suas expectativas em relação à gestão da primeira mulher presidente da República.

Eu torço para que seja uma gestão exitosa, para o bem do Brasil e dos brasileiros, para que a mensagem que foi dada sobre a relevância do tema sustentabilidade seja compreendida pelo novo governo e para que todas as questões possam ser integradas em políticas estruturantes. Que a sustentabilidade possa ser a questão central e que a gente integre os desafios da proteção ao meio ambiente aos desafios da agenda econômica, sem que um seja considerado mais importante do que o outro

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O movimento pró-Marina Silva reacendeu em muitos o desejo de votar nas últimas eleições. Essa onda crescente de admiração pela sua pessoa a preocupa?

Eu sinto uma sensação de alegria e gratidão pelo respeito que as pessoas têm pelo meu trabalho, pela minha contribuição política. Mas sei que quando você é político e goza de algum carisma na sociedade, tem que saber administrar adequadamente para evitar qualquer tipo de manipulação. Além disso, não pode se colocar no lugar do “salvador da pátria” nem tirar das pessoas a responsabilidade de ter uma visão crítica ou de tomar as decisões por sua própria cabeça. Foi pensando assim que decidi ficar independente. É muito difícil, às vezes, ter essa atitude, porque somos tentados a querer ser importantes e dizer “olha, você ganhou porque fui eu quem te apoiou” ou “conduzi 20 milhões de pessoas para votar em você”. Mas a Palavra de Deus diz que a gente não deve ir pela porta larga, mas sim pelo caminhos estreito. Então, eu procuro sempre receber tudo isso com muito afeto, alegria, humildade e gratidão.

Os adeptos da “Marina mania” dizem que, se concorrer, a senhora será a próxima presidente. Todo esse apoio lhe deixa mais otimista para disputar o cargo de presidente?

Essa aceitação, solidariedade e apoio aumentam a responsabilidade. Eu tenho falado que é preciso construir no Brasil uma terceira via. Não há liberdade de escolha quando a gente tem que decidir entre A e B. E o Brasil está ficando um país quase bipartidarista, dividido entre o PT e o PSDB. E é fundamental a construção da terceira via para que, de fato, as pessoas possam ter liberdade de escolha. Então, isso aumenta sim a responsabilidade no sentido de querer contribuir para a concretização dessa via. Se for novamente candidata à presidência da República, como mulher de fé, eu sei que tenho ainda muita reflexão e avaliação pela frente e muita oração para que essa decisão apareça. Agora, não me coloco, a priori, no lugar de candidata porque quero trabalhar com a tranquilidade de quem vai fazer o que é necessário, contribuir sem ter que estar acotovelando as pessoas para que eu seja a candidata.

Durante os anos como senadora e com o ativismo ambiental, acha que tem conseguido fazer com que os problemas dos estados do Norte e Nordeste sejam tratados como questões nacionais?

Fiz um esforço muito grande para que isso acontecesse. De alguma forma, foi possível contribuir, sabendo que esse encontro do Brasil consigo mesmo não é obra de uma pessoa e sim de todos brasileiros. Não é propaganda do Nordeste para o Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. É a perspectiva do encontro, da diferença social, cultural e política, mas sabendo que nós, das regiões mais pobres do Brasil, não podemos ser vistos como problema, mas como solução também. Quanto de vento e sol tem no Nordeste para gerar energia e riqueza, emprego e desenvolvimento para o país e, inclusive, para a comunidade pobre? Lembre-se da expressão que diz assim: “Fulano vai ver de quê? De vento?”. Pois hoje é preciso viver de vento, sim. Por isso, a gente precisa ter um modelo econômico mais democrático e horizontal, para que todos possam ser beneficiados com as riquezas naturais.

Acha que tem conseguido quebrar paradigmas por priorizar a causa ambiental?

O Brasil vem quebrando paradigmas. Pesquisas recentes dão conta de que 95% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais caro pelos alimentos para protegerem as florestas. Grande parte dos brasileiros está ocupada com a manutenção do código florestal. E mais de 80% dos brasileiros estão dizendo que não votam em quem não tem compromisso com o meio ambiente. As empresas estão começando a integrar os critérios de responsabilidade socioambiental. Os governos estão sendo forçados a parar com o discurso aparentemente fácil para ganhar votos e com a oposição de meio ambiente e desenvolvimento. A juventude, cada vez mais, tem uma consciência maravilhosa em relação a esses temas. As crianças são altamente informadas sobre a necessidade de uma nova atitude em relação à natureza. Há uma sensibilidade para o tema, só que até transformar isso em atitude, leva um tempo e o planeta não pode esperar muito.

O cineasta Fernando Meireles afirmou, em sua biografia, que a senhora está voltada para o amanhã. Qual deve ser o papel da igreja na promoção de uma melhor relação do homem com a natureza para garantir o futuro ambiental do planeta?

A primeira coisa é ser coerente. Eu sempre brinco dizendo que é incoerente dizer que amamos o Criador sem respeitar a criação. Quando a gente ama alguém, a gente respeita o que ela faz, o que ela construiu e nos deu de presente. Deus nos deu o planeta Terra para morar. Em Salmos 115:16 diz que Deus habita nos céus, mas a terra foi dada para os homens morarem, e esse presente de Deus precisa ser cuidado. Essas riquezas e belezas são fundamentais para a manutenção da vida na Terra. E, obviamente, que, o grande desafio da igreja é de ter a perspectiva do reino de Deus aqui também na Terra. A promessa de restauração não é só para os humanos, é para toda criação. Se a gente entender isso como um ministério, a igreja vai ter um papel relevante, trabalhando os temas na comunidade, alinhando-se politicamente às grandes questões nacionais e internacionais e, ao mesmo tempo, fazendo a diferença na perspectiva que nos ensina a Palavra de Deus.

Fonte: Revista Comunhão

“Não me imagino distante de Cristo”, afirma Valéria Valenssa ex-globeleza

 

Ela se chama Valéria Conceição dos Santos Donner, mas tornou-se conhecida como Valéria Valenssa ou “a ex-globeleza”. Hoje, aos 39 anos, a mulata carrega outro título: serva de Deus.

Casada há 18 anos com o famoso designer gráfico Hans Donner, atualmente trabalha com ele na administração e coordenação de suas palestras ministradas dentro e fora do Brasil, e se dedica aos filhos João Henrique e José Gabriel Donner.

Valéria é evangélica desde 2004, ano em que viveu um período difícil ao ser dispensada pela Globo depois de 15 anos como símbolo do carnaval na emissora. Ela conheceu o amor e a verdadeira felicidade em Jesus, e afirma que não se imagina mais distante de Cristo.

Como aconteceu a sua saída da TV Globo?

Depois que nasceram os filhos a Globo decidiu escolher outra mulata.

O que mudou em sua vida após essa fase?

Tudo.  Primeiro porque pensava que estava preparada para enfrentar qualquer coisa, o que não era verdade. Pensava também que eu era insubstituível, e ninguém é.  Naquele momento não esperava ser dispensada. Aprendi que o homem te coloca num pedestal e o próprio homem te tira dele. Mas com Deus tenho aprendido a andar nas alturas, conforme está escrito em Habacuque 3:19.

Como e quando você se converteu a Jesus Cristo?

Nessa fase em que a Globo me demitiu, em 2004. Um dia estava em casa muito angustiada e triste. Lembrei de um convite que havia recebido algumas vezes, tratava-se de uma reunião de oração feita por funcionários da Globo, às segundas-feiras, no horário de almoço. Resolvi aceitá-lo e lá tive um encontro com o Senhor Jesus Cristo.

Conte seu testemunho.

Sempre fui uma pessoa religiosa e tinha muita fé em Deus, mas não o conhecia.

Quando a Globo me chamou para uma reunião e disse: “hoje você não é mais”, o mundo caiu ali pra mim. Fiz loucuras, coisas que hoje não faria. Eu estava 10 quilos acima do peso. Fiz plástica num período curto de dois meses, perdi 12 quilos. Meu filho tinha oito meses de idade. Virei escrava daquela situação, para provar para o homem que eu poderia alguma coisa. Eu esperei do homem ajuda.

Quando passei por esse momento delicado, cheguei a ficar deprimida, mas foi aí que Deus se revelou para mim e entrou de verdade em meu coração, transformando toda a minha vida. Não consigo me imaginar distante da presença de Deus.

Percebo que minha história é marcada por muitos milagres. Hoje faço questão de testemunhar que sirvo a Deus. Isso está muito nítido na minha vida.

Tenho visto o mover do Senhor. Estou caminhando há sete anos, com muita oração e pedindo muita sabedoria. Tenho dado testemunho em várias igrejas sobre a minha mudança de vida.

O seu marido, Hans Donner, também é?

Ainda não, mas não abro mão da minha promessa em Josué 24:15 “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Ele tem visto o mover de Deus em minha vida.

Você é mãe. Costuma levar seus filhos a igreja? Já falou de Jesus para eles?

Sim, sempre. A Bíblia nos ensina  em Provérbios 22:6 “Instrui o menino o caminho que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”.

Ser evangélica fez você diminuir a preocupação com o corpo?

Sim, de certa forma.  Mas aprendi na Bíblia, em I Coríntios 6:19 que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, logo preciso ter zelo e cuidados com meu corpo e saúde.

Como foi a recepção das pessoas à sua conversão, principalmente daqueles que te viam antes como símbolo sexual?

As pessoas me vêem com carinho, dizem que sentem saudade. São elas que vão me ouvir falar de Deus.

Desde o momento que chego num ambiente fico “ligada”. Um dia precisei acompanhar meu marido num evento ligado a samba. Tudo depende da minha postura e do que vou falar, como me comportar, como me vestir.

Eles dizem que hoje estou diferente. Temos que passar para as pessoas a diferença daqueles que servem a Deus e dos que não servem. Muitos sabem que estou na igreja, que não faço mais carnaval, mas o amor e o respeito dessas pessoas não mudaram. Sempre busco a oportunidade de dizer que o que Deus tem feito na minha vida pode fazer na delas também.

Você participa de projetos sociais?

Sempre participei. E quando você faz não precisa falar, mostrar. Quando Deus chama, Ele tem propósito, é para pregar a Palavra. Antes eu era madrinha de ONG, cedia a minha imagem para buscar recursos.

Hoje sou voluntária de uma ONG que assiste a mulheres carentes, mães abandonadas que criam seus filhos sozinhas. Dedico um tempo por semana para conversar, apoiar, falar sobre minha experiência de vida com Deus.

 

Fonte: CPAD News

André Valadão: “Eu sempre profetizei e declarei a cura sobre mim”

O seu CD “Fé” já havia sido sucesso em todos os sentidos: agenda de shows, vendas, receptividade do público e diversos testemunhos vindos de pessoas que foram de alguma forma abençoados por esse trabalho. Ainda no embalo de toda essa repercussão, ele iniciou a produção de um novo projeto: “Minhas Canções”, que visava gravar músicas do Missionário R.R. Soares em novos e modernos aranjos. Porém uma enfermidade surgiu em seu caminho. Assim pode se iniciar o testemunho de um marcante momento da vida do pastor e cantor André Valadão. Há alguns meses o músico descobriu que seus rins estavam funcionando com apenas 50% de sua capacidade total. Porém ele não enxergou tal fato como motivo para desanimar.

Hoje, curado e animado para cair na estrada com a sua nova turnê (CD “Minhas Canções”), André Valadão falou em entrevista exclusiva ao Guia-me, o cantor falou sobre o seu novo álbum lançado e a cura por ele alcançada. Temas como fé e força de vontade permearem esta conversa. Confira:

Guia-me: Recentemente, você lançou o CD “Minhas Canções”, no qual canções do Missionário RR Soares ganharam uma roupagem Pop. Como se deu o processo de produção – nos arranjos, por exemplo – para que o objetivo de unir diferentes gerações fosse alcançado com excelência (como já pode ser visto atualmente)?

André Valadão: Foi um projeto extremamente elaborado e preparado com um grau de profissionalismo e harmonia maravilhosos. Realmente foi a junção de duas gerações, um projeto de unidade e de visões que sem dúvida levam a mesma realidade da salvação do perdido e de adoração a Deus. O RR Soares tem muito a nos ensinar com sua experiência ministerial e com seu fluir em Deus, e creio que a musicalidade e o dom que Deus tem me dado e dado ao produtor Ruben di Souza só acrescentaram para o projeto.

Guia-me: Falando sobre o seu estado de saúde – antes da cura já testemunhada na IBL -, você sempre transpareceu um ar bem “pé no chão” em relação a isso. Falava sobre a situação no Twitter, por exemplo, pedia orações, mas não fazia muito alarde, não demonstrava desespero. Como Deus te confortou nesse momento?

André Valadão: Deus é nossa força, nossa luz e nosso fim! n’Ele vivemos e existimos, e essa certeza sempre paira em minha vida e comunhão com o Pai. Eu sempre profetizei e declarei a cura sobre mim, já via este milagre acontecendo sem duvidar um momento sequer.

Guia-me: Já em seu testemunho, após a sua cura, você afirmou que “fez a sua parte”, como ser humano e ser espiritual, exercitando sua fé. Em sua opinião, como esse exercício de fé participa no processo de cura ou até mesmo em algum outro milagre?

André Valadão: Crucial ententer que somos espírito, temos uma alma e moramos em um corpo. Essas três realidades devem andar juntas, unidas, não adianta cuidarmos de apenas uma delas e as outras duas serem abandonadas, e isso tenho entendido desde muito cedo, por isso digo que a realidade da disciplina, saúde, fé e uma alma cheia da palavra de Deus devem sempre andar juntas.

Guia-me: Você conta que o diabo te afrontou, dizendo que tomaria os outros 50% dos seus rins, mas nem por isso você se intimidou ou desanimou em seu ministério. Pode-se dizer que as tentativas dele (diabo) surtiram um efeito contrário do esperado, ou seja, te deram ainda mais vontade de continuar?

André Valadão: Sim, tenho uma facilidade muito grande de viver sob afrontas e pressão… Bem, quando digo facilidade é que isso me instiga a ir além, fazer mais e alcançar o que Deus tem me preparado pra fazer. Essa realidade aconteceu várias vezes, e na verdade as acusações do inimigo não vão parar nunca contra nós, por isso devemos mais e mais viver em consagração e entrega ao Senhor…

Guia-me: E para 2011, o que já é possível adiantar para a gente sobre esse novo CD / DVD ao vivo que está por vir?

André Valadão: Posso adiantar que tem muita novidade, muita coisa linda pra chegar e ganharmos muitos para o Senhor! E sem dúvida a Turne 2011 já tem sido e será a maior que já fizemos…

Por João Neto - www.guiame.com.br

Foto: Marcus Castro

Fonte: Guia-me