O Deus fada madrinha

Fada madrinha é uma personagem muito comum nos chamados contos de fadas, sendo uma entidade mágica que protege e sempre aparece para atender os desejos e interesses de seus protegidos.[1]

Você, cristão, já reparou como nós tratamos a Deus como se Ele fosse uma fada-madrinha? Isso mesmo! Como nós temos mania de achar que Deus tem o dever de nos conceder todos os nossos pedidos, desde que sejamos filhos “bonzinhos”. Se estamos em dia com o dízimo, acreditamos Ele tem a obrigação de protejar a minha renda (que nós no nosso jargão evangélico chamamos de “lavoura”); se vamos à igreja no domingo e orarmos com muito fervor e muita fé, achamos que Deus tem que “entrar com providência” em nossa causa e resolver tudo, conforme a nossa vontade.

Nossa mente limitada não consegue enxergar Deus como um ser que tem tudo em suas mãos, e que é soberano em Sua vontade, assim, passamos a nos relacionar com Ele como se Ele dependesse de nós para saber do que precisamos para nossa própria vida. Nos esquecemos do que Jesus disse sobre não nos preocuparmos com o que haveríamos de vestir ou comer, mas buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça, pois o Pai sabe do que precisamos, ele é suficientemente bom para nos conceder aquilo de que nos sustentará e vestirá.

Essa palavra do nosso Salvador nos liberta e faz aumentar a nossa confiança em nosso Aba que está no céu. Ele que com a sua sabedoria administra o mundo e a natureza, fazendo com que tudo trabalhe para que seus propósitos e desígnios sejam cumpridos.

Quando compreendemos essa palavra do nosso Senhor Jesus, finalmente conseguimos entender o que o apóstolo Paulo quis dizer em Romanos 8:28:

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”

A minha oração, meu caro leitor, é que passemos a nos relacionar com o nosso Deus como filhos que confiam no Pai e que por confiarem, buscam em tudo o que fazem promover o Reino de Deus e a sua Justiça, sabendo que tudo o que precisarmos será suprido por nosso Pai, sem uma varinha de condão, mas por sua soberana vontade.

Soli Deo Gloria

[1] “Fada madrinha e fado padrinho” Revista Pais&Filhos

 Por Thiago Ibrahim (@thiagoibrahim) 

Extraído do Blog do Ibrahim

Não desça da cruz

Desde minha conversão, há cerca de 20 anos aproximadamente, ouvi uma frase de um homem de Deus, meu tio Pastor Edson Santos da Igreja Assembléia de Deus, que me evangelizou e me inspirou na vida cristã: “O Cristão foi chamado para não ter razão”.

Esta verdade tem me seguido desde então e percebo que apesar de simples no conteúdo é um grande desafio para todos nós. Sempre haverá uma tentativa por parte do inimigo (e ele usa pessoas para isso) para que eu e você desçamos da cruz.

A tentação de descer da Cruz

Foi assim com Jesus. Muito se tem falado sobre as diversas tentações que Jesus sofreu no deserto através de Satanás, mas chamo a atenção para o texto do evangelho de Marcos 15. 30-32: 30 “Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz! De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se; desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam” (grifo meu). Na hora mais difícil de sua missão Jesus foi tentado a descer da cruz e resolver seus problemas por conta própria. Ele tinha todo o poder para isso, quando estava diante dos soldados no momento de sua prisão após Pedro ferir o soldado com sua espada, Ele disse: “Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?” (Mateus 26.53). Eram cerca de 72.000 anjos à sua disposição com apenas um pedido. Mas, entre a razão (e ele tinha todas as razões do mundo para não estar naquela cruz) e a missão, Jesus escolheu a missão.

Quem de nós já não ouviu alguém dizer ou já não disse a seguinte expressão: “Desci da cruz! Isto quer dizer que perdemos a paciência, o equilíbrio, o domínio próprio e fizemos algo que não deveríamos ter feito. Uma palavra dita sem refletir do marido para a esposa, um gesto da esposa que feriu o marido, entre pais e filhos, uma atitude explosiva e inesperada no trabalho ou ainda uma reação impensada no trânsito ou algo parecido.

Assim como Jesus, que foi tentado a provar sua autoridade e que Ele era o Cristo descendo da cruz e salvando-se a si mesmo, somos diariamente tentados a mostrar as demais pessoas que temos razão em muitas coisas. Há uma pressão nos levando a fazer o que não devemos e até mesmo, de maneira muito sutil nos dizendo que “somos cristãos, mas não somos bobos”. É verdade que há um equilíbrio em tudo isto, não vamos nos deixar passar para trás por qualquer motivo, sendo prudentes em todos os nossos atos, mas não vamos, em nome de ter razão, “perder a razão” (desculpe o trocadilho).

Entre ter razão e cumprir a missão, lembremo-nos de Jesus que através da cruz nos chamou para a loucura do evangelho. Assim, da próxima vez em que as emoções chegarem a flor da pele, não desça da cruz.

Autor: Pedro Leal Júnior

Fonte: Instituto Jetro

O cristão e o dinheiro

A Bíblia não ensina que há virtude na pobreza, nem pecado na riqueza. O que a Bíblia condena não é a quantidade de riqueza, mas antes, a atitude errada para com ela.

Toda a vida dos cristãos está sob o senhorio de Jesus Cristo. Isso inclui questões financeiras, tem implicações na atitude diante da riqueza e da pobreza. Não é surpresa, então, que os assuntos econômicos sejam importantes nos ensinamentos da Bíblia e na ética social da igreja cristã.

Encontramos na Bíblia uma ambivalência fundamental com relação ao dinheiro. Em alguns contextos, especialmente no Velho Testamento, ele é apresentado de forma bem positiva. O texto fala que Abraão “tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro” (Gênesis 13.2). Jó era muito rico e Salomão recebeu riqueza e honra sem igual entre os reis que viveram na mesma época que ele (1 Reis 3:13). Provérbios diz que “a bênção do Senhor traz riqueza” (10:22); e apresenta uma ética de trabalho simples: “As mãos preguiçosas empobrecem o homem, porém as mãos diligentes lhe trazem riqueza” (10:4).

Claro que o Velho Testamento apresenta advertências quanto à riqueza. Nunca podemos perder a sua fonte: “Lembrem-se do Senhor, o seu Deus, pois é Ele que lhes dá a capacidade de produzir riqueza” (Deuteronômio 8.18). Jamais devemos colocar na riqueza nossa confiança. O salmista escreveu que Deus trará destruição completa ao “homem que rejeitou a Deus como refúgio; confiou em sua grande riqueza” (Salmos 52:7). Além disso, a obrigação de cuidar dos necessitados acompanha a aquisição de bens: “Quem trata bem os pobres empresta ao Senhor” (Provérbios 19.17). As determinações do Velho Testamento sobre dízimo, o sábado e jubileu serviam, em parte, para lembrar aos israelitas que a riqueza deles pertencia, no final das contas, a Deus e que deveriam usá-la para a glória dele.

A imagem do dinheiro muda no Novo Testamento, que enfatiza a chegada do reino de Deus com a vinda de Jesus Cristo. A ênfase maior passa a ser nos aspectos negativos. Jesus abordou várias vezes o assunto. Na parábola do rico insensato (Lucas 12.19), mostrou a tolice de ser rico materialmente e pobre diante de Deus. Condenou a atitude idólatra de quem se relaciona com o dinheiro como deus: “Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará outro, ou se dedicará a um e desprezará outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Lucas 16.13). Jesus lembra que o dinheiro foi criado por Deus e não pode assumir a liderança de nossa vida; precisamos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e todas as outras coisas nos serão acrescentadas (Lucas 12.31). A riqueza facilmente nos conduz à tentação de dedicarmos atenção para as coisas deste mundo, afastando-nos de Cristo e de seu reino. Na parábola do semeador, a riqueza sufocou a palavra e impediu-a de frutificar (Mateus 13.22). Por isso, é difícil um rico se converter (Mateus 19.23-24). Os pobres estão em vantagem, não apenas por serem pobres, mas porque não têm como confiar em seus próprios recursos e, assim, estão mais prontos a se submeter ao senhorio de Cristo.
Esses ensinamentos de Jesus se refletem no restante do Novo Testamento, onde somos avisados de que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (talvez a declaração bíblica mais conhecida sobre o assunto). Para Paulo, o oposto de cobiça é contentamento, aspecto fundamental da vida cristã (Filipenses 4.12).

Finalmente, a verdadeira riqueza deve ser encontrada na salvação em Jesus Cristo, descrita muitas vezes na Bíblia em termos econômicos. Os pobres deste mundo foram escolhidos para serem “ricos em fé” e “herdarem o Reino” (Tiago 2.5). Paulo descreveu seu ministério: “pobres, mas enriquecendo muitos outros; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Coríntios 6.10). Logicamente, podemos concluir que Paulo afirma que somos ricos porque Jesus se tornou pobre (2 Coríntios 8.9). O que a Bíblia ensina sobre o dinheiro, então, possui dois aspectos: ele é um presente de Deus, sinal de sua bênção. Mas não pode se tornar um deus para nós. A Bíblia não prega o ascetismo, ou seja, não vê virtude inerente à pobreza, nem pecado inerente à riqueza. Mas nos ensina que a verdadeira riqueza é a espiritual, não a material.

Como a Igreja Primitiva via a questão

Como os ensinamentos bíblicos sobre o dinheiro têm sido interpretados durante a história da Igreja? A Igreja Primitiva em geral era pobre. Ensinava a indiferença e o desapego diante das coisas deste mundo, em parte por causa da expectativa escatológica da consumação iminente do reino. Pouco a pouco, desenvolveu desconfiança diante da riqueza e exaltação da pobreza.

Porém, a Igreja Primitiva não era comunista ou socialista como muitos já afirmaram. Os líderes perceberam a tensão entre a afirmação da pobreza na Bíblia e as exigências radicais do amor cristão. Aceitavam a propriedade privada e a atividade comercial, embora as considerassem instituições surgidas depois da Queda, acomodações ao pecado humano e, por isso, proibidas aos membros do clero. E as advertências quanto aos perigos da riqueza eram constantes, assim como as instruções aos ricos para aliviarem o sofrimento dos pobres através de atos de caridade. A propriedade privada deveria ser usada para beneficiar os outros. Policarpo de Esmirna disse: “Quando estiver ao seu alcance fazer o bem, não deixe de fazer, porque as esmolas libertam da morte”.

Entretanto, não pensavam que a Bíblia se opunha totalmente à riqueza. O que ela condena não é a quantidade de riqueza, mas antes a atitude errada para com ela.

Agostinho escreveu, em seu comentário sobre o Salmo 72, que a cobiça é um pecado que ataca o pobre tanto quanto o rico: “Não é uma questão de renda e sim de desejo. Observe o rico ao seu lado; talvez tenha muito dinheiro, mas não é avarento; você, no entanto, não tem dinheiro, mas é muito avarento”. A mesma idéia ecoou no sermão “Quem é o rico que será salvo?”, de Clemente de Alexandria. Ele declarou que o rico da parábola, que não se preocupa com seu sustento, pode ser menos ganancioso do que o pobre e, assim, estar mais perto da salvação. Não somos obrigados a concordar com a exegese dele para afirmar que a advertência bíblica contra o amor ao dinheiro se aplica tanto a pobres quanto a ricos.

De modo geral, os Pais da Igreja se concentraram em questões financeiras pessoais e não trataram de questões amplas de justiça econômica. A exceção notável foi sobre a condenação da usura. Eram contra qualquer cobrança de juros em empréstimos. Consideravam as proibições do Velho Testamento válidas (Deuteronômio 23.19) e os ensinamentos do Novo Testamento sobre o amor eram incompatíveis com a cobrança de juros (“emprestem… sem esperar receber nada em troca” – Lucas 6.35). Atanásio ensinava que a usura era um pecado tão grave que quem a praticava perdia a salvação. Ambrósio concordou com ele e escreveu: “Se alguém pratica a usura, rouba e não possui mais a vida”.

Com a proibição da usura, os Pais da Igreja visavam proteger especialmente os pobres, mais inclinados a pedir empréstimos. Os que emprestavam muitas vezes os levavam à escravidão ou ao suicídio. Os Pais da Igreja não lidavam com o aspecto moral nos casos em que o devedor era o beneficiado com o empréstimo.

A Igreja medieval desenvolveu e institucionalizou o pensamento cristão sobre o dinheiro. O movimento ascético da Igreja antiga encontrou apoio no dualismo natureza-graça presente no pensamento de Tomás de Aquino. O dinheiro era considerado não-espiritual, produto do mundo decaído. Qualquer riqueza superior ao mínimo necessário para a sobrevivência era tida como contrária à verdadeira espiritualidade (oposta à matéria) e a pobreza, como necessária para se alcançar perfeição espiritual. Tomás de Aquino refletia a antipatia dos pais da Igreja pela atividade comercial, vendo nela “um toque desprezível”, especialmente quando envolvia a prática da usura.

Começamos a ver, na Idade Média, esforços legislativos da Igreja no sentido de minimizar o problema da pobreza. Os concílios elevaram a prática de doações quase como um imposto. Os membros eram obrigados a entregar aos bispos um décimo de sua renda com a finalidade específica de ajudar os pobres.

A Doutrina dos Reformadores sobre o dinheiro

A Reforma redescobriu a doutrina da justificação pela fé, e isso causou um impacto importante na interpretação das questões econômicas. Os reformadores rejeitaram a glorificação da pobreza. Os movimentos monásticos haviam iniciado como obras de caridade, mas se transformaram em meio de buscar a salvação. A justificação pela fé ensinava que a salvação é o fundamento, não o alvo, da vida cristã. Portanto, não havia qualquer valor para a salvação em ser pobre nem em dar esmolas. Os reformadores não negavam as advertências da Bíblia quanto à riqueza (Lutero defendia a necessidade de três conversões: a do coração, a da mente e a do bolso). Mas, apesar disso, não recomendavam a pobreza material. Calvino escreveu que esta é tão perigosa para o espírito quanto a riqueza: “À direita encontram-se, por exemplo, riqueza, poder e honra, que costumam abafar a percepção dos homens com o brilho e a aparente bondade que apresentam, e os enganam com agrados, de modo que, presos por essas armadilhas e embriagados por essas doçuras, acabam se esquecendo de Deus. À esquerda estão, por exemplo, pobreza, desgraça, desprezo, aflições e coisas semelhantes. Frustrados pelas lutas e dificuldades, tornam-se desesperados na mente, afastam toda segurança e esperança e, por fim, se afastam completamente de Deus”.

Os reformadores também abandonaram o antimaterialismo de Tomás de Aquino, que servia de base à rejeição da riqueza na Idade Média. Tomás de Aquino ensinava que o dinheiro surgira como conseqüência da Queda, mas Calvino o considerava sob um aspecto mais positivo, como parte da criação, da “ordem natural”, veículo para facilitar a comunicação humana. Portanto, o uso errado do dinheiro era uma corrupção da ordem da natureza.

Calvino foi o primeiro teólogo a questionar o ensinamento escolástico sobre a usura. Para ele, a proibição absoluta da cobrança de juros se relacionava mais a uma visão aristotélica do dinheiro do que ao testemunho bíblico. O dinheiro não era uma unidade estática de troca (como Aristóteles defendia), mas uma ferramenta dinâmica para criação da riqueza. Como havia possibilidade de quem pedia empréstimo ter lucro com o dinheiro, os argumentos contra a usura perdiam um pouco a força. Mas Calvino não a defendeu por completo, fez distinção entre a legal e a ilegal. Esta seria a prática profissional que, invariavelmente, oprimia os pobres e deveria ser banida da Igreja, insistia Calvino: “Não podemos enriquecer à custa de outros”. Mas a usura seria legal, e inclusive necessária, nos contextos comerciais. Os reformadores não viam incompatibilidade entre atividade comercial e vida cristã. Calvino se limitava a insistir que a Regra de Ouro deveria controlar os negócios. Wesley aconselhava os crentes a fazerem seus negócios para a glória de Deus: “Ganhe o máximo que puder, poupe tudo que conseguir e dê tudo que for possível”.

Dissidência anabatista

Apesar do consenso da visão positiva sobre o dinheiro na Reforma, os anabatistas se colocaram como importante voz dissidente. Na economia, como em outros assuntos, consideravam que os reformadores não tinham avançado até o ponto necessário. Menno Simmons criticava os reformadores por não cuidarem dos pobres da forma devida, fato que segundo ele, deixaria o evangelho “muito fácil” e o sacramento reduzido a um “mero partir do pão”.

É triste, uma hipocrisia intolerável, que esses infelizes se gabem de ter a Palavra de Deus, de ser a verdadeira igreja cristã e nunca se lembrem que perderam por completo a marca do verdadeiro cristianismo. Muitos possuem muito de tudo, andam em seda e veludo, ouro e prata e todo tipo de pompa e esplendor; enfeitam a casa com móveis caros; têm o cofre cheio e vivem em luxo e esplendor. Mesmo assim, impelem os membros pobres e aflitos, a pedirem esmolas e os carentes, famintos, idosos, aleijados, cegos e doentes a mendigar o pão em suas portas (Menno Simmons).

Para Simmons, o evangelho implicava em uma obrigação radical de cuidar dos pobres: “Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (1 João 3:17).

A maioria dos anabatistas aceitava a propriedade privada, mas alguns renunciavam completamente a posse de bens. Os seguidores de Ulrich Von Hutten praticavam a “comunhão dos bens”, adotaram um tipo de “comunismo cristão”. As palavras de Ulrich Stadler revelam como a posse de bens parecia destrutiva aos olhos deles: “um, comum edifica a casa do Senhor e é puro, mas meu, teu, dele, próprio divide a casa do Senhor e é impuro. Assim, onde existe propriedade e uma pessoa a possui, e é dela, que não deseja ser uma com Cristo e pertencer a Ele na vida e na morte, está afastada de Cristo e de sua comunhão e não tem um Pai no céu”.

A Ética puritana

Porém, os anabatistas eram uma minoria perseguida, com influência limitada. Enquanto isso, os puritanos trouxeram o legado econômico da Reforma para o Novo Mundo. Seguiam uma ética de trabalho, moderação e vida simples. Ironicamente, essa ética acabava produzindo grande riqueza. A semelhança entre a ética de trabalho dos puritanos e a ética profissional do capitalismo levou o sociólogo Max Weber a criar a tese de que a teologia da Reforma, em especial do Calvinismo, deu origem ao capitalismo. Em seu famoso livro A ética protestante e o espírito do capitalismo, ele afirmou que as virtudes calvinistas da frugalidade, honestidade e economia produziram um “ascetismo deste mundo” que substituiu o “ascetismo do outro mundo” medieval e gerou acúmulo de riquezas.

A tese de Weber atrai, mas Calvino advertia contra o perigo de se ver a riqueza como sinal automático da eleição divina. Não devemos tentar esquadrinhar os mistérios da providência de Deus. Afinal, a sua graça não faz diferença entre as pessoas, e Ele concede riquezas aos pagãos. Os puritanos, também, não viam nenhum mérito inerente à riqueza. Ela costumava ser encarada com muito cuidado. Richard Baxter avisou: “onde o mundo colocou os bens no coração, nos tornamos falsos para com Deus e o semelhante, infiéis no chamado e falsos para com a própria religião”. Os puritanos tinham convicção profunda de que as riquezas podiam afastar a pessoa de Deus. Cotton Matter escreveu, comentando o materialismo de sua época: “A religião gerou a prosperidade e a filha devorou a mãe”.

Críticos de Weber se inquietam por encontrar no calvinismo uma legitimação do capitalismo; alguns vêem uma correlação oposta entre o crescimento do capitalismo e o declínio do calvinismo. Na era pós-Reforma, o capitalismo secularizou a ética calvinista. O protestantismo se tornou sinônimo de classe média respeitável e as virtudes cristãs se confundiram com os valores burgueses. A era pós-Reforma abandonou o pensamento social revolucionário dos Reformadores. Em vez de buscar soluções estruturais para a pobreza, característica da Reforma, o protestantismo voltou ao modelo de caridade pessoal da Igreja Primitiva. Os esforços para amenizar a situação das vítimas econômicas da industrialização em geral não tiveram como alvo mudanças estruturais na sociedade.

Economia cristã no continente americano

Para os evangélicos dos Estados Unidos, o problema da pobreza se vincula à questão de relacionar evangelismo e ação social. No século 19, o império evangélico não via conflito e a igreja se dedicava a ambas atividades. O historiador Timothy Smith afirma que evangélicos que defendiam a Reforma uniam, com sucesso, esforços espirituais e sociais: “O impulso de ganhar almas impeliu os cristãos a realizaresforços sistemáticos para aliviar o sofrimento dos pobres que moravam nas cidades”. Na virada do século, contudo, pré-milenistas pessimistas consideravam a reforma social uma causa perdida. Mais uma vez, a caridade se tornou privatizada e, nas igrejas, a ênfase voltou a ser o evangelismo. Dwight L. Moody, por exemplo, defendia que a conversão dos indivíduos era a maior esperança de mudança social. A partir da metade do século 20, os evangélicos têm considerado a indiferença diante da ação social uma característica dos fundamentalistas, mas continuam a existir debates sobre como a Igreja pode tratar melhor da pobreza e de outras questões sociais.

No cristianismo contemporâneo, grande parte da atenção nos debates sobre questões econômicas enfoca as raízes estruturais da riqueza e da pobreza. Alguns autores renunciam à preocupação tradicional com a atitude diante da riqueza e consideram a quantidade de riqueza um pecado nesse mundo de diferença cada vez maior entre ricos e pobres. Os efeitos desiguais da industrialização, o empobrecimento do Terceiro Mundo e o hedonismo grosseiro do consumismo ocidental levou essas pessoas a buscarem solucionar o problema da pobreza através da distribuição da riqueza. Walter Rauschenbusch, com o movimento do Evangelho Social, tentou reformar o capitalismo laissez-faire dominante nos Estados Unidos no século 19 colocando as estruturas econômicas sob a “lei de Cristo” e não da “lei de Mamom”. A visão dele era estabelecer uma era de justiça econômica, caracterizada por salários justos, poucos desempregados e redistribuição da riqueza.

Mais recentemente, e mais radical, a teologia da libertação atribuiu a fonte da pobreza do Terceiro Mundo à riqueza ocidental. Segundo essa linha, o dinheiro não é neutro, mas pode assumir caráter demoníaco, sendo um dos “principados e potestades” das trevas que lutam contra o reino de Deus. Assim, os ricos são os opressores deste mundo e os episódios bíblicos do Êxodo e da Encarnação (Lucas 4), modelos para ação revolucionária: Deus agindo decisivamente para depor os poderosos e libertar os pobres. Muitos teólogos da libertação condenam a propriedade privada e geralmente possuem visão utópica de uma sociedade onde a ética do reino sobrepuja o egoísmo humano.

Enquanto o evangelho social e a teologia da libertação recomendam mudanças econômicas socialistas, outra corrente de pensamento defende uma “teologia da libertação alternativa” no capitalismo democrático. Essa corrente vê falhas na atitude negativa para com o dinheiro e na pressuposição básica da redistribuição (os pobres são pobres porque os ricos são ricos). Aponta as virtudes da produtividade e o sucesso das sociedades capitalistas na elevação do padrão de vida, e encontra esperança para os pobres na criação de mais riqueza. Essa escola de pensamento prefere modelos de desenvolvimento em lugar de libertação. E considera a visão da teologia da libertação irreal: o máximo que os cristãos podem esperar neste mundo é controlar o egoísmo e não erradicá-lo.

O debate atual e as tensões na história da interpretação nos fazem lembrar os dois aspectos do testemunho bíblico sobre o dinheiro. Embora ele seja uma bênção de Deus, o amor a ele é pecado. Na atitude pessoal diante da riqueza, as duas idéias se harmonizam no conceito bíblico de mordomia. Na mordomia, o dinheiro é recebido como presente de Deus, mas a pessoa não pode esquecer que tudo que possui pertence, no final das contas, a Deus. O dinheiro nos é confiado por algum tempo, e seremos obrigados a prestar contas sobre como vamos usá-lo.

O teólogo presbiteriano Robert Dabney, do sul dos Estados Unidos, escreveu que a mordomia exige do cristão a utilização da riqueza da forma mais eficiente que puder: “É sua obrigação usar cada parte de seus bens da melhor maneira possível em suas circunstâncias. Se houver outro caminho a nosso alcance em que nosso dinheiro poderia ter produzido bem maior e mais honra a Deus, e nós o gastamos em algo inocente, mas nem tão benéfico ao serviço dele, falhamos em nosso dever. Pecamos”. Dabney oferece um teste simples para avaliar a forma como usamos o dinheiro de Deus: Tornamo-nos servos de Deus mais eficientes quando usamos o dinheiro?

Fonte: Cristianismo Hoje

Quem é Jesus ?

Para o cego, Jesus é luz.
Para o faminto, Jesus é o pão.
Para o sedento, Jesus é a fonte.

Para o morto, Jesus é a vida.
Para o enfermo Jesus é a cura.
Para o prisioneiro, Jesus é a liberdade.

Para o solitário, Jesus é o companheiro.
Para o mentiroso, Jesus é a Verdade.
Para o viajante, Jesus é o caminho.

Para o visitante, Jesus é a porta.
Para o sábio, Jesus é a sabedoria.
Para a medicina, Jesus é o médico dos médicos.

Para o réu, Jesus é o advogado.
Para o advogado, Jesus é o Juiz.
Para o Juiz, Jesus é a justiça.

Para o tristonho , Jesus é a alegria.
Para o leitor, Jesus é a palavra.
Para o pobre, Jesus é o tesouro.

Para o devedor, Jesus é o perdão.
Para o fraco, Jesus é a força.
Para o forte, Jesus é o vigor.

Para o inquilino, Jesus é a morada.
Para o fugitivo, Jesus é o esconderijo.
Para a ovelha, Jesus é o bom pastor.

Para o problemático, Jesus é a solução.
Para os magos, Jesus é a estrela do oriente.
Para o mundo, Jesus é o salvador.

Para Judas, Jesus é inocente.
Para os demônios, Jesus é o santo de Deus.
Para Deus, Jesus é o Filho amado.

Para o tempo, Jesus é o relógio de Deus.
Para o relógio, Jesus é a última hora.
Para Israel, Jesus é o Messias.

Para a gramática, Jesus é o verbo.
Para as nações, Jesus é o desejado.
Para a Igreja, Jesus é o noivo amado.
Para o vencedor, Jesus é a coroa.

Grupos celulares: Igreja fora do templo

Os grupos celulares são alternativa para crescimento espiritual, evangelização efetiva e discipulado no contexto urbano. Fundador do G12 diz que modelo é fruto de uma revelação divina.

Células, núcleos familiares, pequenos grupos… Importa menos o nome do que o conceito, resgatado dos primeiros tempos do cristianismo e guindado à condição de alternativa comunitária à correria da sociedade contemporânea. De fato, a conciliação entre trabalho, família e igreja, principalmente para quem vive nos centros urbanos, é um desafio diante do qual muitos cristãos estão capitulando. E como comunhão exige tempo – artigo com status próximo ao de uma commodity nos dias de hoje –, a solução à qual as igrejas passaram a recorrer, mais ainda a partir dos anos 1980, foi a boa, antiga e bíblica fórmula da reunião em coletivos menores. Os formatos e as metodologias variam bastante, mas a ideia fundamental de promover comunhão, evangelização e edificação é comum a todos. Afinal, o próprio Cristo prometeu a seus servos que estaria presente quando dois ou três deles se reunissem em seu nome.

A reunião de grupos de cristãos para a prática da oração e da meditação na Palavra remonta aos primeiros anos subsequentes à ascensão de Jesus Cristo. É verdade que, nos tempos do Novo Testamento, não era questão de mera opção: ainda não havia grandes igrejas como hoje e o contexto era de intensa perseguição aos que criam no Rabi da Galileia. O livro de Atos e várias passagens das epístolas paulinas fazem referência a essa iniciativa em um tempo no qual a fé cristã ainda era proscrita. A casa de Maria, mãe de João Marcos, abrigou alguns dos primeiros encontros dos chamados seguidores do Caminho. Lídia, a vendedora de tecido de Tiatira, na Macedônia, e o casal Priscila e Áquila também são exemplos de pessoas que abriram as portas de seus lares para os pequenos grupos pioneiros.

A institucionalização da Igreja, com a construção de santuários cristãos e a romanização de templos pagãos, reduziu o conceito de igreja celular a iniciativas esporádicas e isoladas, muitas delas reprimidas pelas autoridades eclesiásticas em nome do poder papal. Nem mesmo a Reforma Protestante, em sua gênese, conseguiu recuperar o prestígio dos grupos menores, alternativa que coube melhor a movimentos paraeclesiásticos, ramificações e seitas – e ao próprio pentecostalismo em seus primórdios, como as reuniões na Rua Azuza, em Los Angeles, nos Estados Unidos, há um século.

O sistema celular só viria a ser efetivamente colocado em prática pelas igrejas evangélicas de forma massiva a partir dos anos 1980, com o pastor sul-coreano Paul Yonggi Cho, da Igreja do Evangelho Pleno de Seul. Após uma juventude marcada por manifestações sobrenaturais do poder de Deus, Paul (que posteriormente mudou seu nome para David Y. Cho a fim de facilitar o contato com os ocidentais) começou a pregar e se tornou pastor. Desde então, implantou o conceito dos pequenos grupos em sua igreja, que experimentou um enorme crescimento. Hoje, é considerada a maior comunidade evangélica do mundo, com mais de 800 mil membros. E o sistema de divisão em pequenos grupos é a única solução para um rebanho tão grande poder congregar de modo efetivo.

Envolvimento

Com os passar dos anos, várias denominações evangélicas brasileiras implantaram essa prática, cada uma com método e nomenclatura próprios. Muitas aderiram ao modelo do pastor Cho, enquanto outras o adaptaram de acordo com a necessidade da igreja local. De modo geral, as células têm duas finalidades específicas: comunhão entre membros e proclamação do Evangelho. É ali, num espaço mais intimista, que os recém-convertidos são melhor discipulados e despontam lideranças. O pastor e escritor Geremias do Couto, da Assembleia de Deus, explica que os pequenos grupos são uma grande oportunidade de os crentes se envolverem na missão, além de uma forma de a Igreja marcar presença no espaço social ao sair dos templos e ganhar as casas. “O crente passa a exercer papel de discipulador, evangelista e proclamador”, avalia.

Muitas igrejas, de fato, têm registrado crescimento espiritual e numérico como resultado da implantação do modelo de células, e já há até ministérios especializados no assunto. O Igreja em Células, por exemplo, oferece capacitação a igrejas locais para exercer o trabalho. O pastor Roberto Lay, coordenador do movimento e líder da Igreja Evangélica Irmãos Menonitas, de Curitiba (PR), explica que numa igreja de programas e eventos (leia-se “liturgia convencional”), um número reduzido de pessoas trabalha preparando algo para a maioria dos membros que agem como meros consumidores. “Já as células devolvem a cada crente o direito e o privilégio de ser um ministro, desenvolvendo seu sacerdócio”, aponta.

Questionado sobre o papel das igrejas de hoje em comparação à Igreja Primitiva, Lay defende com convicção a aplicação do modelo celular para a edificação pessoal: “A igreja de Atos, na verdade, aprendeu com Jesus Cristo a ser uma comunidade de relacionamentos, e não de eventos. Era uma igreja bem recebida e estimada pelo povo por sua influência positiva na sociedade”, assinala. Jorge Henrique Barro, diretor da Faculdade Teológica Sul-americana, acredita que o caráter missionário das células não pode ser negligenciado. Ele explica que a célula tem uma ênfase missiológica, e não eclesiológica. “Isso porque sua razão de existir não é a Igreja, mas o imperativo da pregação do Evangelho”, sentencia.

“Caráter, combinação e competência” 

Algumas denominações apostam no modelo celular na certeza de que ele é o ideal. A Comunidade da Graça, de São Paulo, vale-se do sistema de células desde o início do ministério de seu pastor titular, Carlos Alberto Bezerra. “Minha visão não era receber as pessoas na igreja para ouvir um bom sermão, bater palmas ou atirar pedras e ir para casa”, lembra. “O sonho era que cada pessoa se tornasse membro da família de Deus e um ministro, um servo de Deus, como Jesus. Pessoas engajadas no objetivo de lavar os pés e levar as cargas umas das outras”, explica. Para realizar essa visão, foram instituídos os grupos familiares. Todavia, num primeiro momento, eles acabaram reproduzindo, inesperadamente, as distorções dos cultos de domingo: eram muito grandes, incapazes de tocar o coração das pessoas e dar oportunidade para o desenvolvimento espiritual dos novos convertidos. A igreja então mudou de tática. “Há dez anos começamos a transição, e hoje já colhemos frutos maravilhosos de grupos com menos pessoas, mas com mais visão estratégica de acolhimento e crescimento”, comemora Bezerra.

Nascida após uma série de reuniões de um pequeno grupo na casa do pastor Ary Velloso, a Igreja Batista do Morumbi, também na capital paulista, até hoje mantém esse tipo de encontro, ali chamado de PG (pequeno grupo). “Todas as pessoas que chegam, sejam novos convertidos ou membros oriundos de outras igrejas, são incentivadas a participar de um PG”, explica Claudio Duarte, coordenador da atividade na igreja. Adepta do modelo com, no máximo, dezesseis pessoas que se reúnem regularmente, a Batista do Morumbi inclui entre os objetivos dessa prática, além da oração e do estudo da Palavra de Deus, o fortalecimento dos laços sociais por meio da troca de experiências de vida. Para Claudio, os pequenos grupos têm a missão precípua de acolher, cuidar das pessoas e prover apoio: “Eles devem estimular o desenvolvimento de relacionamentos profundos, além de oferecer oportunidade de ministério e serviço aos participantes, propiciando o surgimento de novos líderes.”

O ministério em células teve início na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte (MG), em 1987, no apogeu da visibilidade mundial do ministério da igreja de Cho. Àquela época, diante do crescimento da membresia, as congregações foram emancipadas e se detectou a necessidade de acompanhamento da vida dos fiéis através de pequenos grupos. A pastora Dinamarcia Faria Barbosa Moreira, coordenadora de células da Lagoinha, diz que o modelo adotado, previamente estruturado, foi o mesmo do pastor Cho. “As células funcionam nas casas, em reuniões semanais que duram em média uma hora e meia, encerrando sempre com um lanche”, informa. A coisa é informal, mas organizada – “Há um líder ativo, outro em treinamento, um secretário, os membros da igreja e os visitantes, convertidos ou não”, explica a pastora.

Cada reunião, de acordo com Dinamarcia, é dividido em partes: há o chamado quebra-gelo, louvor, testemunhos pessoais, estudo da Bíblia, oração e desafios de atividades. As células seguem uma programação proposta pela Coordenação Geral. Adotando um modelo semelhante ao G5 – uma variação do polêmico G12 (ver abaixo) –, a liderança da Lagoinha acredita que o ministério com células é a melhor estratégia para ganhar vidas para Jesus, formar novos líderes e expandir a igreja. Também adepta do conceito de G5, o Ministério Verbo Vivo, de Guarulhos, na Grande São Paulo, cresceu desde que se adequou às células, no fim da década de 1990. Por meio de um treinamento embasado num critério chamado “Três C” (“caráter, combinação e competência”), a pessoa que possui essas características é escolhida como líder de uma célula. “Para que ocorra um crescimento numérico e espiritual, a igreja deve estar debaixo da verdade de que ela é igual à família”, pontifica um dos pastores do Verbo Vivo, Jefferson Karagulian. “Quando isso acontece, não existe inveja nem competição”,frisa o líder.

Ênfase na comunhão

É claro que pensar na estrutura celular como solução mágica para todos os problemas de uma igreja no cumprimento de sua missão seria ingenuidade. Várias comunidades e denominações enfrentaram problemas ao adotar o modelo de pequenos grupos – entre os quais um dos mais temidos pelos pastores, a divisão. Vitor Ribeiro Piva, líder de célula e presbítero do Ministério Fé em Ação, em São Paulo, explica que as células constituem uma estratégia para alcançar pessoas, mas podem acabar ficando com a cara do líder. “A célula veio para o fortalecimento da igreja e dos irmãos. Mas é preciso ser submisso e ter a consciência de que ela é uma parte do Corpo de Cristo, não um novo braço que está nascendo”, pondera. Para que essa distorção não ocorra, ensina Vitor, é muito importante levar os frequentadores do grupo pequeno para a igreja, onde eles podem participar da comunhão geral.

De acordo com Jorge Henrique Barro, as divisões fazem parte dos muitos riscos que esse movimento pressupõe. Além disso, a nomeação de pessoas despreparadas na liderança de células torna-se um caminho aberto para heresias. “Esse líder despreparado vê na célula a possibilidade de ter a sua igreja. Já que é o líder e debaixo da autoridade tem cerca de vinte, 25 pessoas, pode estimular o surgimento de uma ‘igreja clandestina’”, diz o teólogo. “Quando os pastores acordam, as cadeiras e o som já foram comprados”, ironiza. Outro desdobramento do movimento celular é a substituição gradativa do envolvimento com a igreja pelas atividades do grupo familiar. Muitos evangélicos têm aderido a esse tipo de prática eclesiástica por criticar o que seria uma institucionalização excessiva das denominações.

Geremias do Couto não abre mão do papel da igreja e da importância de suas atividades clássicas, como a Escola Bíblica Dominical. Ela não acha legítimo substituir a congregação formal pelas células e prefere apostar numa complementação entre as duas. “Não se deve dar a célula o papel de formação bíblica”, opina, “pois nem todos os líderes de célula sabem ensinar. O ensino é um dom, e nem todos o possuem”. Já em relação à evangelização, o pastor acredita que os núcleos representam uma excelente opção – ainda mais em grandes cidades, nas quais as distâncias, a violência urbana e a crônica falta de tempo são empecilhos à frequência constante de templos, sobretudo em meio de semana. “Afinal, anunciar o nome do Senhor é papel de todos os crentes.”

Para Roberto Lay, do ministério Igreja em Células, a vida em comunhão dentro da igreja é inegociável, assim como a prática do chamado ministerial de cada membro. Em sua opinião, a divisão da membresia em grupos pequenos ajuda a suprir lacunas da igreja institucional, mas jamais significará a falência do modelo clássico. “A nossa proposta sempre foi ajudar as igrejas a encontrar a eclesiologia do Novo Testamento, aquela que promove a vida dos pastores, líderes e membros da igreja”, sustenta. “O ideal é cada um exercer o seu ministério sacerdotal de acordo com o chamado que recebe do Senhor”, finaliza.

Crescimento com críticas

Castellanos diz que modelo G12 é fruto de uma revelação divina.

Com o passar dos anos, vários modelos de igrejas em células surgiram no universo evangélico, mas nenhum gerou tanta controvérsia quanto o G12. O método foi criado em 1983 pelo pastor colombiano Cezar Castellanos, fundador da Missão Carismática Internacional, e logo virou coqueluche. Castellanos afirma ter criado o sistema a partir de uma revelação divina em resposta ao pedido que fez ao Senhor para crescimento de sua igreja. O número encerra simbologias bíblicas – doze eram as tribos de Israel, doze os discípulos de Cristo, e por aí vai. O processo é simples: basicamente, cada crente é estimulado a formar um grupo de doze novos convertidos, passando a ser seu discipulador. Cada elemento do grupo, por sua vez, também buscava reunir uma dúzia de liderados, e assim sucessivamente. No topo da pirâmide, os líderes também montavam seu grupo, com pastores prestando mentoria espiritual a outros pastores.

O princípio do modelo se traduz no quadrinômio “ganhar, consolidar, discipular e enviar”. No G12, aestratégia de discipulado é gradual, e inclui os chamados encontros, espécie de retiros a que todo envolvido deve comparecer. O bordão “o encontro é tremendo” dava ideia da importância do evento. Mas o caráter heterodoxo desses encontros, anunciados por alguns como uma espécie de panaceia para curar todos os males espirituais dos adeptos, logo começou a atrair opositores. Correram boatos de que sessões de regressão e unções bizarras eram praticadas ali, embora quem participava voltava dizendo-se renovado espiritualmente. O exclusivismo, que levou muitas igrejas a romper a comunhão com aquelas que não adotavam o método, e a extrema verticalização do sistema – que criou lideranças monolíticas – também costumam ser muito questionados.

O G12 teve início no Brasil por volta de 1999, e floresceu rapidamente. Denominações inteiras aderiram ao sistema, abrindo mão de estruturas eclesiásticas muitas vezes enraizadas ao longo de décadas. Algumas alcançaram, de fato, notável crescimento, como a Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, liderada por sua apóstola Valnice Milhomens, e o Ministério Internacional da Restauração, capitaneado por René Terranova – outras, porém, racharam entre os entusiastas e os descontentes com o modelo. Os dois religiosos assumiram a linha de frente do G12 no Brasil, por mandato do próprio Castellanos. Procurados por CRISTIANISMO HOJE para falar da situação do movimento, dez anos depois de sua implantação no país, eles não retornaram os contatos da reportagem.

Fonte: Cristianismo Hoje

Crítica boa e barata

O meio cristão está abarrotado de acidez.

Confundimos exortação com crítica boa e barata.

Nossa exortação muitas vezes se expressa em olhar para a vida alheia e apontar aquilo que pensamos estar fora de um padrão.

Há muito mais trave que cisco.

Aquilo que é conversado nos corredores das igrejas, aquilo que é falado em alguns púlpitos e aquilo que é escrito em blogs cristãos expressa isto.

Se você der uma varrida nos maiores blogs cristãos você vai perceber que eles vivem de apontar os erros dos “grandes” pastores da cena evangélica. A exortação predileta da irmã é apontar a roupa curta da outra. A grande verdade na boca do irmão é como o ministro de louvor desafina…

Há muita crítica falsa no meio evangélico.

Crítica boa e barata que não transforma nada, que somente satisfaz aquele que fala…

A verdadeira exortação acontece quando dizemos algo buscando transformar verdadeiramente a vida das pessoas…

A linha entre o apontamento falso e a exortação verdadeira não é tênue. Há um abismo entre eles.

Bem verdade, muitas vezes é gostoso falar mal de alguém. Nos sentimos melhores ao apontar o erro alheio. Eles estão sujos e nós limpos.

A igreja está abarrotada de pessoas que querem apontar os erros sem se importar que a vida das pessoas melhore. Que os erros sejam corrigidos…

Essa é o abismo que separa a falsidade da exortação. Você não carrega em suas palavras acidez, mas uma alternativa de transformação.

E não tem nada a ver com o tom que você fala. Há acidez em palavras mansas e há verdade na grosseria.

Tem a ver com o que há no coração.

A igreja precisa mais de construtores do que de cínicos.

Mais de pessoas que fazem as coisas acontecerem do que de pessoas que criticam tudo e todos de braços cruzados.

Há de se ter cuidado com pessoas, blogs e tudo mais que apontam os erros alheios e não oferecem com suas próprias vidas uma alternativa correta e verdadeira de comportamento.

“Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho?” Mt 7: 3-5

Fonte: Papo de Louco

Genteeee esse site é muito bom quem puder acompanhe…

Palavra do Dia | Pessoas

Deus todos os dias tem dado pessoas para pessoas. Pessoas a quem possamos amar, pessoas a quem possamos servir, pessoas a quem podemos ajudar, pessoas a quem podemos abraçar, pessoas a quem podemos estender a mão. Nós nos envolvemos sentimentalmente e depositamos nas mãos de pessoas todo o nosso coração, nos entregamos sem reservas a um namoro, ou a um amigo, um irmão, seja la quem for.

Fazemos de tudo para agradar e alegrar o coração daquela pessoa ao qual Deus nos deu. Ela faz parte dos nossos sonhos, está incluídas nos nossos planos… Sabemos que a vida não é uma troca e que devemos viver o amor incondicional, que é aquele quem não busca nada em troca nem o seu próprio interesse, mais é difícil quando fazemos de tudo para alguém e por alguém e não temos um retorno.

Não é necessário nada material, mais um abraço um sorriso de gratidão seria muito bom. Mas é tão doloroso quando não somos correspondidos, porque na verdade no fundo do nosso ser, tudo o que fazemos para a pessoa que amamos é porque também queremos receber das mãos dela. Se abraçamos é porque la na frente queremos um abraço, se amamos é porque também queremos ser amados e quando isso não acontece sentimos o nosso coração frustrado, abalado, talvez usado…

Esse sentimento Jesus também sentiu, Ele que andou por essa terra trabalhando em favor dos homens curando,amando, libertando, realizando prodígios e milagres. As mesmas pessoas que Jesus amou, curou , libertou foi quem o escolheu para ser pregado numa cruz. E naquela cruz o coração Dele se entristeceu. Mas Ele não deixou de amar. 

A Palavra do dia é 

Hoje você pode escolher o que semear, mas amanhã será obrigado a colher o que plantar.

Tudo que você fizer por alguém seja algo bom ou ruim, saiba que la na frente você colherá, talvez não das mãos de quem você espera. Mas pelas mãos de quem você merece receber.

Tudo aquilo que o homem plantar, certamente colherá.

Plante o bem e colherá o bem, plante amor e colherá amor, plante compaixão e colherá compaixão, mas se plantar ingratidão certamente ingratidão colherá, se plantar desafeto certamente colherá, plante o melhor e colherá o melhor. Não selecione pessoas faça a todos, ame ao seu próximo como ti mesmo.

Recebido por email 

Sono

Melhor parte do dia!
Alívio de tormentos
Filosofias e resoluções

A hora de reviver
Renovar o pensamento
Se arrepender

Depois há uma
Nova chance
Para pensar
Em TUDO

Feche os olhos
Entre em ti
É hora de dormir

Ofício

O trabalho enobrece
Te torna utilidade
A serviço do que se crê
Reconhecimento da consequência

Estresse, quebra-cabeça
Problemas e soluções
Diário dilema

A escolha da função
É a parte mais difícil
Da nossa missão
O prazer do ofício

Cooperadores de Deus

“Como cooperadores de Deus, insistimos com vocês para não receberem em vão a graça de Deus.”
2 Coríntios 6.1

É lindo demais saber que Deus pode nos usar. A nós, tão pequenos, falhos e muitas vezes negligentes, como seus cooperadores, ou seja, ajudadores, auxiliadores, colaboradores. O prefixo “co” quer dizer “junto” e “operador” é aquele que opera, ou seja, cooperador é aquele que está junto ao que opera.

O interesse de Deus em nós consiste em utilizar as nossas vidas para edificação do seu Reino. Podemos de certa forma atuar ao lado de Deus, estar junto d´Ele, sermos os canais do Seu agir. Somos necessários para Deus, para que o Seu poder se aperfeiçoe em nós.

Somos membros que dão movimento ao Corpo de Cristo. Precisamos despertar em nós a cada manhã esse sentimento de compromisso com a Igreja Perseguida, pois fomos chamados para sermos cooperadores de Deus e, em especial, ajudadores da Igreja Perseguida!

Nossos irmãos da Igreja Perseguida precisam de nós, assim como nós precisamos deles.Todos nós, quando recebemos o chamado para sermos cooperadores de Deus, recebemos também a orientação de como fazer, portanto, “não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade” (I João 3.18).

 

Rycellia Martins
Portas Abertas Brasil