Anabolizantes ameaçam de pagodeiros a cantores gospel

Ambulatório da Voz da Santa Casa acolhe músicos afetados por esteróides; uso da droga cresce entre jovens

A malhação movida a muito anabolizante exige dos usuários um outro tipo de ginástica para corrigir os efeitos colaterais do uso dessas substâncias: exercícios diários de fonoaudiologia para as cordas vocais. O intuito? Evitar a voz grave, que já ameaça as estrofes do pagode, do sertanejo e até do estilo gospel no País.

No Ambulatório de Voz e Arte da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, especializado em músicos e atores profissionais – consultório pioneiro no País – a interferência das chamadas “bombas” aparece nos timbres dos músicos dos mais variados estilos, com destaque para os jovens sertanejos e pagodeiros, conta a coordenadora da unidade, a fonoaudióloga Marta Assumpção de Andrada e Silva.
“Estes cantores têm uma preocupação estética muito forte também. Chegam até nós com a queixa de que a voz ficou grave de uma hora para outra, vamos investigar e descobrimos o uso dessas substâncias”, afirma a especialista que coordena o serviço em parceria com o otorrinolaringologista André Duprat.

Na Santa Casa, são atendidos, em média, 200 pacientes por ano e, de quatro anos para cá, os anabolizantes ganharam espaço entre os motivos para transformar os profissionais da voz em pacientes.

Em 2009, os usuários das substâncias que fazem crescer a massa muscular somaram entre 10% e 15% do total dos atendimentos. Apesar dos homens serem maioria – oito em cada 10, lembrando de que eles são mais numerosos no mundo dos cantores da noite – são as mulheres que procuram atendimento mais rápido quando a voz é afetada.

“Nem sempre os efeitos são reversíveis. Isso varia de acordo com o tempo de uso e também quantidade de substância utilizada. O fato é que, invariavelmente, para melhorar é necessário parar de consumir anabolizantes”, afirma a especialista,  citando como um dos casos de insucesso um cantor gospel de 60 anos que usou por muitos anos anabolizantes voltados para cavalos.

A ação

Para entender como o anabolizante, injetado na corrente sanguínea, afetava a voz, Marta e seus colegas fizeram exames laboratoriais com ratos. “Estes animais têm as cordas vocais muito parecidas com as do homem e como tivemos muita dificuldade em encontrar voluntários que assumissem o uso de anabolizantes, focamos nossos estudos nos bichos”, explica a fono.
Os resultados mostraram que os ratos que receberam anabolizantes não apenas ficaram com sons vocais mais graves como passaram a espaçar mais o tempo entre uma vocalização e outra. “A explicação é que com o aumento da massa muscular, aumenta também a massa em torno das cordas vocais. Isso deixa a voz mais grossa e aumenta a dificuldade para falar”, afirma.

Efeitos do aumento

As vozes ameaçadas pelos anabolizantes não são os únicos efeitos colaterais creditados ao uso da substância, cada vez mais presente na população, especialmente entre a faixa-etária de 20 a 30 anos. Atrofia dos órgãos sexuais (impotência) e falhas cardíacas também podem ser somados à lista de prejuízos, ao lado de depressão e agressividade. Um estudo feito também em ratos por pesquisadores do Instituto de Biologia da USP atestou que os anabolizantes afetam as áreas responsáveis pela tolerância. O comportamento violento é uma conseqüência.

Sete vezes mais

Neste contexto, ficam ainda mais graves os resultados encontrados pela recém publicada pesquisa feita pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), em parceria com o Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Em análise feita com 18 mil universitários do País foi identificado que 3,5% fazem uso de anabolizantes, índice sete vezes maior do que o registrado na população em geral (0,5%), conforme mostrou o Centro Brasileiro de Informações sobre Droga Psicotrópicas (Cebrid). Os resultados foram publicados no mês passado.

Considerando apenas os homens, 8% declararam que alguma vez já usaram anabolizantes. Um dos autores do estudo, o psiquiatra Arthur Guerra, comparou os resultados encontrados entre os estudantes brasileiros com as taxas identificadas em pesquisas feitas com alunos dos Estados Unidos e da Europa. O Brasil apresentou os maiores números de uso, já que nos outros países a média de utilização ficou em 1.1%.

Fonte: Último Segundo / IG

Via: www.guiame.com.br

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